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Previsões nada otimistas
23 de dezembro de 2014Economistas de instituições financeiras passaram a ver, pela primeira vez, que a inflação estourará o teto da meta oficial em 2015, com piora das projeções tanto para o dólar quanto nos preços administrados. Ao mesmo tempo, os agentes do mercado passaram a ver o crescimento econômico menor tanto neste ano quanto no próximo.
De acordo com pesquisa Focus do Banco Central divulgada ontem, a projeção para o IPCA para 2015 subiu 0,04 ponto percentual, indo a 6,54%, enquanto que para este ano permaneceu em 6,38%. A meta é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.
A inflação tem rondado o teto da meta há meses. O IPCA-15, prévia do indicador oficial de inflação, acelerou a alta de 0,79% em dezembro, e encerrou o ano com alta de 6,46%.
O Focus mostrou também que as perspectivas para o dólar voltaram a piorar. Para 2014, a projeção foi a R$ 2,65, ante R$ 2,60, enquanto para 2015 atingiu R$ 2,75, sobre R$ 2,72.
O BC tem argumentado que tanto o câmbio quanto os preços administrados vão continuar pressionando a inflação que, segundo a autoridade monetária, só vai convergir para o centro da meta no final de 2016.
O Focus mostrou que as contas para os preços administrados em 2015 cresceram, com alta de 7,60%, sobre 7,48% na semana anterior.
Em relação à Selic, os especialistas consultados mantiveram a perspectiva de que a taxa básica de juros, atualmente em 11,75%, terminará o próximo ano a 12,50%.
Depois de o BC ter acelerado o ritmo na última reunião, segundo a pesquisa Focus, os especialistas continuavam vendo que o passo será mantido em janeiro na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, com mais uma alta na taxa e 0,5%.
Os economistas consultados na pesquisa do BC reduziram a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 a 0,13%, contra 0,16% no levantamento anterior.
Para 2015 o corte foi ainda pior, de 0,14 ponto percentual, com a estimativa de expansão indo a 0,55%.
A economia brasileira iniciou o quarto trimestre em queda depois de ter saído da recessão técnica, apontou o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) do próprio BC ao recuar 0,26% em outubro sobre o mês anterior.
A projeção para a balança comercial em 2014 foi piorada pela segunda vez seguida na pesquisa Focus, para déficit de US$ 1,86 bilhão, contra resultado negativo de US$ 1,60 bilhão na semana anterior.
TRIBUTOS
A arrecadação federal voltou a recuar em novembro e levou a Receita Federal a admitir pela primeira vez que o pagamento de tributos pode fechar 2014 abaixo do valor recolhido no ano passado. As receitas federais somaram R$ 104,47 bilhões, uma redução real de 12,86% em relação a novembro de 2013. No acumulado do ano, a arrecadação atingiu R$ 1,073 trilhão, 0,99% inferior ao mesmo período de 2013.
O resultado de novembro ficou dentro do esperado pelos analistas do mercado consultados pelo AE Projeções, mas fora da média de R$ 99,05 bilhões.
Até o mês passado, e depois de várias revisões, a Receita projetava uma estagnação da arrecadação. A previsão no início do ano era de um crescimento de 3,5%.
Fonte: Jornal do Commercio
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