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Flanelinhas serão monitorados

11 de dezembro de 2014

Dentro de 30 dias, a Prefeitura do Recife deverá apresentar um projeto para cadastramento e capacitação dos guardadores de carro da cidade ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). E, em até 45 dias, o trabalho deve ser iniciado. O objetivo é identificar os flanelinhas, como são conhecidos, e coibir ações irregulares praticadas por muitos deles. O pagamento do serviço continuará sendo opcional. A medida foi acertada, ontem, em audiência convocada pela promotora de Defesa da Cidadania, Áurea Vieira, e aconteceu na sede das Promotorias da Capital, no bairro da Boa Vista, área central da capital.

"Do jeito que está, a população não suporta mais", declarou a promotora. A proposta de ordenar os flanelinhas partiu da secretária-executiva de Controle Urbano do Recife, Cândida Bonfim. A ideia é convocá-los para cadastramento, onde serão fotografados e deverão apresentar RG, CPF e comprovante de residência. O candidato (que precisa ter mais de 18 anos) passará por uma avaliação de antecedentes criminais e caso tenha praticado algum crime considerado grave, será desqualificado.

A ação começará com um projeto-piloto, no Bairro do Recife. Em 2015, os aprovados receberão crachá, com foto e nome visível, além de um colete padronizado para fácil identificação em caso de extorsão e danos materiais. Eles trabalharão em períodos pré-determinados e em áreas também definidas pelo poder público. Quem lotear ou repassar o ponto, perderá o direito de atuar. Ainda será providenciada sinalização nas ruas, indicando a atuação dos flanelinhas no local.

Todos os critérios, ações e prazos começaram a ser definidos, ainda ontem, por um grupo de trabalho que envolve representantes dos órgãos municipais e estaduais envolvidos no controle urbano, mobilidade e segurança. A reunião foi fechada e a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano (Semoc) limitou-se a enviar uma nota para a imprensa, pouco depois das 19h30, sem informar a data para início do cadastramento ou maiores esclarecimentos sobre o tema.

O projeto é muito parecido com um que foi implantado em 2005, pelo atual secretário da Semoc, João Braga, o qual à época era secretário estadual de Defesa Social. Os flanelinhas foram inscritos pela Polícia Militar e cadastrados no Instituto Tavares Buril (ITB). Muitos ainda guardam as credenciais, mas o processo não teve continuidade e o registro sequer é considerado pelo município, que não sabe a quantidade de guardadores em atuação.

"Já passei por muitas situações ruins com flanelinhas. Nenhum lhe espera até o final da festa. Alguns lhe xingam se você der um valor que considerem baixo. Já houve até um que, em vez de me dar o troco, fugiu com o dinheiro. Não vejo como essa ação pode funcionar", avalia o cirurgião-dentista Ipojucan Lima, 34 anos.

Fonte: Jornal do Commercio

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