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PIB de 2015 é revisado para 0,8%
5 de dezembro de 2014Se de um lado o governo criou um conceito novo de poupança, do outro passou a dar ao mercado sinais de que vai parar de maquiar a situação econômica do Brasil, o que pode custar caro. Ontem a equipe da presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso a segunda revisão do crescimento da economia previsto para 2015: o número inicial, que seria 3%, já havia sido rebaixado para 2% e desta vez foi reduzido para 0,8%.
"Não é ideologia. Antes das eleições eu já dizia: não importava quem vencesse, o País precisaria de ajustes", explica Jorge Jatobá, ex-secretário da Fazenda de Pernambuco e economista da consultoria Ceplan. A questão, explica Jatobá, é que as manobras do governo não mexem apenas com empresas e cidadãos brasileiros.
"Assim como a China compra títulos dos Estados Unidos, os grandes fundos de pensão americanos compram títulos brasileiros", explica. Isso implica dizer que a maquiagem das contas públicas brasileiras é acompanhada por investidores estrangeiros. O risco é que a perda de credibilidade do Brasil leve a um dano maior à economia nacional, caso o País perca o grau de investimento.
Trata-se de um título concedido por agências de classificação de risco – são como um "SPC internacional", que conferem um título de bom ou mal pagador aos países. Se o Brasil perdesse o título, poderia haver fuga de capital e os investidores estrangeiros evitariam o País. É o que justifica Joaquim Levy como futuro ministro da Fazenda e o aumento dos juros pelo Banco Central, conta Jatobá.
"O governo usou uma estratégia legal para não abrir uma frente que poderia levar a questionamentos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O que não impede a oposição de usar o episódio para expor o governo. Faz parte do jogo político. Qualquer governo que estivesse nessa situação buscaria uma manobra legal", avalia o cientista político Túlio Velho Barreto.
Fonte: Jornal do Commercio
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