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Dilma quer fim dos ”feudos”

29 de outubro de 2014

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff quer acabar com os feudos dos partidos na Esplanada dos Ministérios ao anunciar sua equipe do segundo mandato, além de fortalecer a articulação política do Palácio do Planalto. Decidida a não deixar que as legendas transformem as vagas do primeiro escalão em "capitanias hereditárias", que passam de um governo para outro, Dilma pretende fazer uma ampla troca de cadeiras na qual nem todos ficarão onde estão. O PT, hoje com 17 dos 39 assentos no Ministério, poderá ter seu espaço reduzido.

Apoiada por uma coligação de nove partidos (PT, PMDB, PSD, PP, PR, PROS, PDT, PCdoB e PRB), a presidente sabe que enfrentará resistências na base aliada, mas avalia que tudo será resolvido com negociação caso a caso. Eleita com uma margem apertada de votos na disputa contra Aécio Neves (PSDB), Dilma tem uma "fatura" política a pagar e fará de tudo para evitar rebeliões e problemas com o Congresso.

Auxiliares de Dilma dão como certo o "rodízio" dos partidos no comando de pastas, com prováveis "compensações" em diretorias de estatais. Ministérios como o dos Transportes, há anos com o PR, Cidades, nas mãos do PP, e Previdência, dirigidas pelo PMDB, podem entrar nesse remanejamento.

O PSD, do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, deverá ganhar mais uma vaga na equipe, mantendo a Secretaria da Micro e Pequena Empresa com Guilherme Afif Domingos. Na bolsa de apostas, o nome de Kassab é citado para ocupar o Ministério das Cidades, mas ele desconversa. "O PSD será governo, sim, mas não impôs qualquer condição ao declarar apoio à presidente", afirmou Kassab, derrotado na disputa pelo Senado por São Paulo.

Na tentativa de driblar revoltas de aliados, que barrem votações importantes no Congresso, Dilma também quer reabilitar o chamado "núcleo duro" do Planalto para discutir semanalmente as estratégias do governo, principalmente na seara política.

O desejo da presidente é resgatar o modelo de uma Casa Civil mais política, como no tempo do então ministro Antonio Palocci – que caiu em 2011, no rastro do escândalo da multiplicação do patrimônio -, acompanhado de um núcleo que a assessore no dia a dia da relação com o Congresso.

CORRIDA

A decisão de Dilma de acabar com os feudos partidários levou os partidos a abrirem o balcão de negociações políticas para garantir vaga no primeiro escalão do governo. PT e PMDB abriram uma disputa pelo Ministério de Minas e Energia. Petistas começaram a defender para a pasta o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), nome certo no núcleo duro do segundo mandato. Caso se concretize, a escolha de Wagner porá na rua o ministro Edison Lobão, que é da cota de indicações do senador José Sarney (AP), e poderá reduzir o número de ministérios do PMDB – atualmente cinco.

Outros três nomes são apostas do PT para ficar onde estão: Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).

No PMDB, o vice-presidente Michel Temer deu indicativos que conseguirá manter o ministro Moreira Franco na Aviação Civil. Temer também investe na nomeação do deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) para um ministério.

Outra movimentação do PMDB é para garantir um lugar para o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), no Ministério da Integração Nacional, antiga reivindicação do partido. A Pasta hoje é controlada pelos irmãos Cid e Ciro Gomes (PROS). Cid é citado para o Ministério da Educação, comandado pelo PT desde o primeiro mandato de Lula. Até agora, porém, Cid tem dito que prefere representar o Brasil em alguma vaga no exterior.

Fonte: Jornal do Commercio

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