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Guia de TV começa amanhã

18 de agosto de 2014

SÃO PAULO – A partir de amanhã, Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) terão 45 dias para confirmar ou quebrar uma realidade que dura 16 anos: desde 1998, a propaganda eleitoral no rádio e na TV não provoca viradas em disputas presidenciais. O chamado "palanque eletrônico", porém, já se mostrou decisivo na definição de quem vai ao segundo turno enfrentar o candidato favorito na disputa.

O impacto mais forte foi sentido na campanha presidencial de 2002. Pouco antes do início do horário eleitoral, Anthony Garotinho, então no PSB, tinha 26% das intenções de voto, nove pontos a menos que o primeiro colocado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). José Serra (PSDB), candidato do governo (então presidente Fernando Henrique Cardoso) à época, estava embolado com Ciro Gomes (PPS), ambos na faixa dos 10%.

A campanha de TV do PT, que apresentou Lula no modelo "paz e amor", fez o petista subir de 35% para 45% em um mês e meio. Ciro, que chamou um ouvinte de "burro" durante um programa de rádio, teve esta e outras gafes exploradas pelos adversários, e perdeu dois terços dos eleitores, no mesmo período em que Serra se firmou como antítese do PT e garantiu a ida ao segundo turno, enquanto Garotinho não decolou.

Em 2006, foi outro tucano quem tirou melhor proveito do horário eleitoral: Geraldo Alckmin subiu 13 pontos porcentuais e forçou um segundo turno. Antes do guia de TV, Lula tinha mais eleitores que a soma dos adversários, e o PT apostava em uma vitória já no primeiro turno.

Serra e Alckmin sacudiram o panorama eleitoral em 2002 e 2006 com uma vantagem que o PSDB nunca mais teve: o maior tempo de propaganda. Tinham mais de dez minutos em cada bloco de 25 minutos, e Lula só 5min19s na primeira campanha e 7min18s na segunda.

De 2006 para 2010, o PSDB perdeu 30% de tempo de TV. Novamente candidato, Serra saiu do horário eleitoral quase como entrou, na faixa dos 30% do eleitorado. Na reta final, cresceu Marina Silva (PV): dobrou a taxa de intenção de votos com o guia de TV, mas foi insuficiente para ir ao segundo turno.

Fonte: Jornal do Commercio

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