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As cortinas se fecharam

14 de agosto de 2014

“Em um caderno, guardado no escritório montado em casa, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, anota tudo o que pretende fazer dia após dia…” Assim começava o texto que foi publicado pelo Diario de Pernambuco em 28 de outubro de 2012, pouco depois da vitória em primeiro turno do atual prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB). Assim era a rotina do ex-governador, ex-candidato a presidente da República e ex-líder socialista. Uma rotina que foi encerrada ontem com a queda do jatinho que o levava do Rio (RJ) a Santos (SP) para uma agenda de campanha. O acidente, entretanto, não pôs fim apenas à rotina do presidente nacional do partido. Mas à existência de um dos maiores estrategistas da política nacional.

O planejamento era a principal arma de Eduardo antes de alçar novos voos. Ele arquitetava seus planos, ouvia opiniões, observava comportamentos, estudava, aprendia a terminava conquistando apoios e adesões. Guardava, inclusive, um segredo que foi ontem revelado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Guilherme Uchoa (PDT): era treinado em leitura labial. Enquanto conversava com uns, lia nos lábios dos outros o que diziam – ou tramavam. Atento a tudo e a todos, comandava com pulso forte – e rédeas bem curtas – o seu grupo político. 

Neto e único herdeiro político do também ex-governador socialista Miguel Arraes, Eduardo buscava seguir o avô quando se tratava de política social, apesar das diferenças de interpretação e pensamento que vinham do intervalo de quatro gerações entre ambos. Construiu, portanto, como marca própria a capacidade de fazer parcerias com partidos, governos e correntes ideológicas de esquerda, direita e de centro. Antes de optar pela candidatura à Presidência, era aliado dos petistas – que têm como candidata a presidente Dilma Rousseff – e dos tucanos – que apresentam Aécio Neves para a disputa. 

Na mesma edição do Diario de 28 de outubro de 2012, um arraesista chegou a afirmar, em reserva: “Eduardo tem certeza de que tudo o que ele vive hoje, de bom ou de ruim, vai acabar…”. Eduardo tinha razão. “Apesar de ouvir, é ele quem, numa analogia ao teatro, escreve, dirige e protagoniza suas peças, e é ele também quem define, com o afiado senso de oportunidade que tem, a hora certa de colocá-las em cartaz”, publicou o Diario. Mas ontem, o trágico acidente antecipou o final da história que ele ainda escrevia. E as cortinas prematuramente se fecharam. Definitivamente.

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Linha do tempo

CRONOLOGIA POLÍTICA

1981 – Aos 16 anos de idade, Eduardo decide entrar para a política

1984-1985 – Eduardo participa, ao lado de Miguel Arraes, da campanha das Diretas Já. Conheceu e começou uma amizade com o candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves

1987 – Aos 22 anos, Eduardo assume a chefia de gabinete de Arraes, eleito governador pela segunda vez

1990 – Foi eleito deputado estadual

1992 – Eduardo disputa a Prefeitura do Recife com Jarbas Vasconcelos (PMDB) e perde

1994 – Foi eleito pela primeira vez deputado federal

1995 – Assumiu a Secretaria da Fazenda do terceiro governo Arraes

1998 – Eduardo foi reeleito deputado federal como o mais votado de Pernambuco

2002 – Eduardo foi eleito para terceiro mandato na Câmara dos Deputados e virou líder do PSB, ficando entre os cem mais influentes do Congresso, segundo pesquisa do Diap

2004 – Assumiu o comando do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) no Governo Lula

2006 – Foi eleito governador

2010 – Reeleito com mais de 80% dos votos válidos 

2011 – Toma posse em seu segundo governo e começa a pavimentar a candidatura de um jovem socialista à Prefeitura de Recife: Geraldo Julio

2012 – Rompeu com o PT estadual e lançou Geraldo Julio candidato a prefeito contra o ex-aliado Humberto Costa (PT)

2014 – Estava candidato a presidente da República contra o amigo pessoal Aécio Neves (PSDB) e a ex-aliada Dilma Rousseff (PT)

Fonte: Diario de Pernambuco

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