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Pressão pelo Mais Médicos

17 de junho de 2014

Diante de uma galeria lotada de manifestantes que gritaram e vaiaram, mas no final aplaudiram e entoaram o hino nacional, o projeto de lei do vereador e médico Rogério de Lucca (PSL) foi retirado de votação pelo próprio parlamentar, ontem, na Câmara dos Vereadores do Recife. Se aprovada, a matéria impediria a Secretaria de Saúde de contratar ou permitir a atuação de profissionais de saúde sem a revalidação do diploma – o que poderia impedir a Prefeitura do Recife de contratar médicos pelo programa Mais Médicos, do governo federal. O município conta hoje com 34 profissionais estrangeiros contratados pelo programa.

O clima estava quente desde o começo dos trabalhos da sessão de ontem. Enquanto Rogério de Lucca subia à tribuna para defender seu posicionamento, manifestantes gritavam palavras de ordem contra o vereador, acusando-o de "assassino do SUS" e interrompendo seu discurso por diversas vezes. "Ninguém aqui é contra os médicos, mas sim com a forma como essa contratação é feita. Como pode o médico atuar no Recife sem fazer revalidação (do diploma)?", questionou o parlamentar.

A favor da proibição, o vereador André Regis (PSDB) afirmou ser falho o argumento de que a matéria entra na esfera de competência federal. "O projeto quer estabelecer critérios de contratação pelo Recife. Em nada fala sobre a regulamentação do exercício da profissão. O município é livre para definir quem será contratado", colocou.

Dentre os vereadores a favor da manutenção dos médicos contratados pelas regras do programa, se posicionaram os vereadores Jurandir Liberal (PT), Eurico Freire (PV) e Jairo Britto (PT). Este último lembrou que os parlamentares deveriam priorizar os interesses do povo. "O que precisa ser revalidado não é o diploma, mas sim o projeto. Nós podemos levar os nossos filhos para hospitais particulares, mas os pobres não", frisou Britto.

Diante de vaias para quem era a favor da proibição e aplausos para os contrários, o inesperado da sessão veio no aparte, durante a fala de Rogério de Lucca, do presidente da Casa e médico, vereador Vicente André Gomes (PSB). Ele, na primeira votação, quarta-feira passada, havia sido acusado nos bastidores de corporativismo, ao ter colocado a matéria em votação durante a discussão da Lei de Diretrizes Orçamentárias.

"Vou fazer um apelo a vossa excelência: desista desse projeto", aconselhou Vicente a Rogério de Lucca, levantando aplausos dos manifestantes. "Faça isso que nós vamos juntos trabalhar em outro projeto para atender melhor a população", concluiu.

Diante da falta de apoio, coube a Rogério de Lucca seguir o conselho do presidente e pedir para que a matéria fosse retirada de pauta, encerrando o assunto. De hostilizado, ele recebeu apoio das pessoas que acompanhavam da galeria, que ao final cantaram o hino nacional.

Fonte: Jornal do Commercio

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