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Saldões para reaver prejuízo

20 de maio de 2014

Ainda não se sabe ao certo quantos eletrodomésticos já foram devolvidos às lojas e às delegacias pelos envolvidos nos arrastões, ocorridos durante a greve da PM. Apenas a delegacia de Abreu e Lima, estima um volume de 300 produtos entregues entre a sexta-feira e ontem. De acordo com os comerciantes, algumas mercadorias estão chegando em bom estado, mas a maioria tem avarias. O plano agora é recuperar parte do prejuízo, promovendo saldões dentro das lojas com descontos de 50% a 70% para esses produtos danificados. Segundo o Procon-PE, a ação é permitida, desde que todos os danos estejam devidamente relatados ao consumidor e que o produto funcione. A garantia de fábrica é a mesma de uma mercadoria nova.

A Insinuante, que sofreu perdas nas lojas de Abreu e Lima, Afogados, Casa Forte e Casa Amarela, tem recebido mercadorias em bom estado. “Tem muita coisa sendo devolvida intacta e que será revendida nas nossas lojas. O que estiver com avaria será encaminhado para uma loja de avarias que temos em Alagoas e na Bahia”, afirma ele.

“O que está chegando ainda é um volume muito pequeno diante de tudo o que foi roubado. Mas estamos fazendo uma triagem para saber o que ainda está em condições de uso e pode ser vendido como mostruário ou produto com avaria”, relata Cristiano Vilar, diretor comercial da Eletroshopping, rede que teve 14 das suas 99 lojas do estado roubadas pelos vândalos.

Prática
De acordo com o diretor do Procon-PE, José Rangel, a prática é permitida. “Independentemente do que aconteceu, os produtos podem ser vendidos. Os lojistas precisam dizer exatamente quais são os defeitos apresentados pelos equipamentos e o consumidor comprará aceitando as condições detalhadas”, explica ele. “A garantia de fábrica é a mesma, porque cobre os problemas técnicos e não estéticos, como arranhões, amassões ou vidros quebrados”, diz Vilar. 

Uma linha de crédito especial para os lojistas prejudicados foi solicitada ontem pelo presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Pernambuco (Fecomércio-PE), Josias Albuquerque, que se reuniu com o governador João Lyra, o procurador de Justiça, Aguinaldo Fenelon, e o secretário de Segurança Pública, Alessandro Carvalho. “Solicitamos ao governador intermediação para que os lojistas consigam junto aos bancos oficiais linhas de crédito para voltarem a operar”, disse Albuquerque. Algumas lojas tinham seguro, mas a cobertura prevê danos como incêndio e não destruição por invasão ou saques.

O presidente da Fecomércio explicou que ainda não é possível dizer exatamente qual o prejuízo dos empresários pelos saques, porque eles ainda estão verificando o estoque e calculando as perdas.

Fonte: Diario de Pernambuco

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