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Polícia devolve mercadorias
19 de maio de 2014Lojistas de Abreu e Lima, na Região Metropolitana, cujos estabelecimentos foram saqueados nos últimos dias 14 e 15 passados, durante greve da Polícia Militar, podem começar a receber de volta algumas mercadorias ainda hoje. Durante o final de semana, muitos produtos foram devolvidos ou abandonados pelas ruas da cidade, chegando a encher um caminhão-baú e a se espalhar pelos cômodos da delegacia local. A identificação e ouvida dos saqueadores começa a ser feita, hoje, por meio de uma força-tarefa da Polícia Civil.
"Vou me reunir com o delegado Luiz Andrey (gestor da Delegacia Integrada Metropolitana) para definir a logística desse trabalho, logo cedo, pois nós não temos estrutura física nem de pessoal", informou Alberes Félix. "Um lojista nos cedeu um caminhão e ele já está lacrado. Mas as mercadorias continuam chegando. Quem vem entregar deixa nome, endereço e telefone, diz de onde tirou o produto e marca uma data para prestar depoimento, levando um recibo da entrega".
De acordo com o delegado, as pessoas que estão devolvendo as mercadorias roubadas não são autuadas em flagrante e podem ser beneficiadas juridicamente pelo que a legislação chama de "arrependimento eficaz", quando o efeito do crime é anulado. "Vai depender do entendimento do juiz. Ele pode diminuir a pena ou até mesmo optar por não aplicá-la".
No caso de quem está abandonando as mercadorias na rua, a situação fica mais complicada, pois a pessoa terá de provar o que fez com o produto do roubo. Diversas geladeiras, máquinas de lavar, aparelhos de ar-condicionado foram deixados pelas esquinas e recolhidos pela Polícia Militar. Essas mercadorias deverão ter sua origem identificada pelos lojistas, por meio de códigos e números de série. Ontem também foram feitos três flagrantes, após denúncia de vizinhos.
A polícia continua recolhendo imagens de TVs, jornais, sites e redes sociais para identificar os saqueadores. Quem comprar produto roubado também poderá responder criminalmente. Os crimes variam entre furto (um a quatro anos de reclusão), roubo (quatro a dez anos), receptação (um a quatro anos) e receptação qualificada (três a oito anos).
Para reforçar as investigações sobre os responsáveis pelos saques e vandalismo em Abreu e Lima e Paulista, o governador João Lyra Neto também vai receber, hoje, imagens obtidas pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE). O material será entregue pelo procurador-geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon, que estará no Palácio do Campo das Princesas, às 15h. A ideia é ajudar a agilizar as investigações. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) informa que vai acompanhar de perto a apuração realizada em todo o Estado, para que não haja impunidade.
BALANÇO
Hoje à tarde, a Comissão Permanente, formada por integrantes do governo do Estado, por meio da Secretaria de Defesa Social, do Exército Brasileiro e da Força Nacional apresentam balanço da Operação Pernambuco, no final de semana.
A partir da próxima semana, serão divulgados relatórios diários de acompanhamento desse trabalho, previsto para se estender até o dia 29 deste mês, conforme decreto de garantia e ordem.
Loja teve prejuízo de R$ 210 mil
Os 25 lojistas que tiveram seus estabelecimentos saqueados em Abreu e Lima passaram o final de semana contabilizando prejuízos, organizando as lojas e começando a repor os estoques. Algumas não têm previsão de quando reabrirão as portas. Outras já estão funcionando, mesmo com pouca mercadoria. É o caso da Elektra, que teve todos os seus móveis, eletrodomésticos e até motocicletas roubados, um prejuízo calculado em R$ 210 mil.
"Levaram tudo, exceto os produtos que quebraram durante a invasão, mas aos poucos estamos repondo a mercadoria e vamos reinaugurar a loja", informa o gerente, José Neto. O estabelecimento voltou a funcionar no sábado, mas o movimento ainda é pequeno. "As pessoas estão com medo até de comprar uma geladeira e alguém pensar que roubou. É um desconfiando do outro, o clima está ruim".
A Elektra tem 48 lojas no Estado e enfrentou saques nos municípios de Abreu e Lima, Jaboatão (Prazeres e Cavaleiro), Olinda (Peixinhos) e Recife (Casa Amarela). "O maior prejuízo foi na de Prazeres, mais de R$ 300 mil", salienta o gerente.
Vizinha à Elektra, a Di Santinni reabre hoje, depois de um mutirão para colocar a loja em ordem, nos últimos três dias. "Além dos 25 funcionários daqui, vieram mais dez de outras lojas e ainda estamos terminando o serviço, pois precisamos abrir", explicou o funcionário Sérgio Antônio Marcelino.
"Ainda não contabilizamos o prejuízo, mas sabemos que foi muito alto. Levaram quase todos os sapatos (alguns até com um pé só), quebraram duas portas, levaram o estoque, televisões usadas para divulgar os produtos e muitos vidros das prateleiras e vitrines", conta Sérgio. "Foi um cenário de guerra, como nunca imaginei que pudesse ver. Felizmente foram só prejuízos materiais, ninguém se machucou. Mas está todo mundo desconfiado. Ninguém confia em ninguém". Há a possibilidade de o Estado ser acionado judicialmente pelos comerciantes afetados pelos saques.
Fonte: Jornal do Commercio
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