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Comércio faz as contas do prejuízo

16 de maio de 2014

"Dessa vez alguém vai ter que pagar a conta. Os empresários do comércio não vão arcar com esse prejuízo sozinhos". O desabafo é do diretor para assuntos de governo da Federação do Comércio de Pernambuco (Fecomércio), Mílton Tavares. Ontem à tarde, junto com a Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL) e o Sindicato das Empresas de Comércio do Eixo-Norte (Sindnorte), a entidade participou de audiência com o procurador-geral de Justiça em exercício, Fernando Barros. Os empresários pediram reforço na segurança e apelaram pelo entendimento nas negociações da greve, encerrada à noite. Durante todo o dia, porém, comerciantes do Grande Recife – de rua e dos shoppings – foram obrigados a fechar as portas, funcionar parcialmente e encerrar as atividades mais cedo. Tudo por causa da onda de violência.

Além da participação na audiência, a CDL Recife entregou uma carta ao governador João Lyra Neto, sensibilizando sobre a situação do setor, que desde a noite da última quarta-feira sofre com saques e depredações a estabelecimentos. A conta da criminalidade ainda não fechou, mas a CDL chegou a estimar um prejuízo em R$ 1 bilhão.

"Entregamos fotos e filmagens que fizemos nas lojas de Abreu e Lima para ajudar nas investigações. Num primeiro momento queremos estancar a onda de saques, mas depois vamos ingressar com uma ação judicial. Ainda estamos avaliando com nosso departamento jurídico contra quem caberá o processo", destaca Tavares, que também é presidente do Sindnorte. Só em Abreu e Lima 25 lojas foram saqueadas. "O que mais nos impressionou foi que não foram apenas vândalos que atacaram, mas a própria população. Muitos deles nossos clientes. Em 28 anos de vida no comércio nunca presenciei uma situação dessas", surpreende-se. O assessor jurídico da Fecomércio, José Almeida de Queiroz, diz que a preocupação é com o problema social que os saques podem causar. "As grandes redes têm seguro e condições de recuperar o prejuízo, mas os pequenos comerciantes dependiam das mercadorias que estavam nas lojas para fazer dinheiro. A perda do patrimônio pode representar desemprego", observa.

Com medo dos ataques, os comerciantes fecharam as portas. Alguns estabelecimentos chegaram a funcionar, mas encerraram o expediente mais cedo. Os shoppings também encurtaram o funcionamento e liberaram os funcionários às 16h. Hoje, a previsão é que os centros de compra abram normalmente, mas dependendo da movimentação na cidade poderão repetir a decisão de fechar. Tudo dependerá de quando e em que quantidade os policiamento voltará às ruas.

Quase todos os restaurantes do Recife e de Olinda tiveram que fechar as portas, ontem. "Temos também que pensar na segurança dos funcionários, que precisam voltar para casa tarde", disse o chef Armando Pugliesi, dono do HotSpot, no Pina.

Fonte: Jornal do Commercio

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