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Um basta às “falhas” no metrô do Recife

8 de maio de 2014

Panes elétricas. Rompimentos de cabos. Curto-circuitos. Veículos quebrados. As constantes falhas do Metrô do Recife (Metrorec) serviram como estopim para a insatisfação da população com a ineficiência do sistema de transporte público de passageiros da Região Metropolitana. Revoltados com o aumento do intervalo de 5 para 25 minutos, devido à interdição do Ramal Camaragibe/Alto do Céu, usuários reagiram com revolta, no início da manhã de ontem. Jogaram uma carcaça de geladeira nos trilhos, invadiram a via, pularam catracas e bloquearam a Avenida Belmino Correia, uma das principais de Camaragibe. O Batalhão de Choque foi chamado e houve confronto com os manifestantes. Pelo menos oito pessoas ficaram feridas, incluindo dois PMs, e sete foram detidas. A operação se "normalizou" por volta das 13h. "Mas a tendência é a situação se agravar", alerta o presidente do Sindicato dos Metroviários, Diogo Morais.

A observação do sindicalista faz sentido. Recentemente, o sistema recebeu investimentos de R$ 100 milhões para aquisição de 15 novos trens, de olho na Copa do Mundo. Um dos poucos incentivos desde que iniciou sua operação, há mais de 30 anos. Mas isso não é sinal de novos tempos. Dois deles já estão parados por falta de peças de reposição. Os veículos têm tecnologia diferenciada dos outros 25 do sistema e não trabalham juntos num mesmo ramal. Com inauguração de novos terminais integrados, a demanda cresce, os trens rodam mais, precisam de maior manutenção, mas os recursos não se ampliam. O serviço muito menos. São apenas duas linhas, percorrendo 38,5 quilômetros. Resultado: trens superlotados e paralisações cada vez mais frequentes.

Este último episódio não só reforçou a degradação do sistema, como também mostrou a falta de preparo para episódios tão frequentes. Na terça-feira, por volta das 17h, um pantógrafo (haste que alimenta o trem) se enroscou com a rede de alimentação, deixando o veículo parado entre as estações Cosme e Damião e Rodoviária (TIP). A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) interditou o ramal, por onde passam 50 mil pessoas, aumentou o intervalo e acionou o Consórcio Grande Recife para ampliação de algumas linhas de ônibus. A previsão era de o reparo ser feito até às 5h, mas as chuvas atrasaram o serviço, afetando a operação não só da Estação Camaragibe, que ficou parcialmente fechada, mas também de Cosme e Damião, Rodoviária, Curado, Alto do Céu e Coqueiral, que funcionaram com uma só plataforma.

No momento em que milhares de pessoas se deslocavam para o trabalho não tinham nem trem nem ônibus. Elas se amontoavam nas estações e no terminal, tentando arrumar uma forma de transporte e se desesperaram com a situação, reagindo com veemência. Quando a polícia chegou, o tumulto foi grande. Tiros, balas de borracha, gás lacrimogêneo, correria, pedras voando, gente passando mal.

A auxiliar de cozinha Marisa Odete da Silva, 35 anos, foi atingida por uma bomba de efeito moral, levou um corte na perna e teve a roupa rasgada. "Eu estava tentando pegar um ônibus, não estava na confusão", afirmou. Já Sérgio Ricardo de Oliveira, 34, foi atingido nas costas por uma bala de borracha enquanto tentava ajudar uma jovem que passava mal. "Estamos às vésperas da Copa do Mundo e vive acontecendo isso. É metrô quebrado, ônibus quebrado. Quase todos os dias enfrentamos esses problemas", protestou o rodoviário Valdenilson da Silva, 30.

Conforme a Gerência de Comunicação do Metrorec, ocorrem entre 10 e 15 evacuações de passageiros ao mês. "Considerando que são mais de 15 mil viagens nesse período, o número de ocorrências nos coloca dentro dos padrões normais de confiabilidade", diz o gerente, Salvino Gomes. Segundo ele, boa parte é decorrente de vandalismo. "Gastamos R$ 600 mil para consertar trens danificados por vândalos em 2013, recursos que poderiam ser investidos na melhoria do serviço", observa. Para enfrentar o problema, outros R$ 100 mil são gastos mensalmente com cem seguranças, 50 por turno. Não há novos investimentos previstos a curto prazo para o Metrorec, mas foi feita uma solicitação ao governo federal de R$ 200 milhões para trocar os motores e freios dos trens antigos. "Eles ficariam com a mesma potência e velocidade dos novos", salienta Salvino.

Na opinião do sindicato, o metrô está abandonado intencionalmente. "Estão deixando o caos aumentar para a privatização vir como solução do problema, como fizeram no Rio de Janeiro, que hoje tem a passagem mais cara do país (R$ 3,50) e metade da demanda de dez anos atrás", afirma o presidente do Sindmetro, Diogo Morais. "Não vemos nenhuma política voltada para o sistema. Comprar trens novos não adianta se não há como mantê-lo. O número de roubos nas estações e trens está cada vez maior, assim como as agressões a funcionários. A própria CBTU nos informou que seriam necessários 136 homens por turno. E o serviço, por lei, deveria ser feito por pessoal concursado".

Fonte: Jornal do Commercio

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