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Consumidores driblam a inflação nas gôndolas

6 de maio de 2014

O aumento da inflação reduz o poder de compra do consumidor. Mas retirar os itens do carrinho é a última coisa que ele pretende fazer nesse momento. Segundo estudo da Associação Brasileira de Supermercado (Abras), para driblar o cenário de elevação de preços, o consumidor está reduzindo o número de idas aos pontos de venda, optando por embalagens econômicas e por marcas mais baratas. Analisando o comportamento do consumidor ao longo do ano passado, o estudo concluiu que o número de idas aos pontos de venda caiu de 170 para 156 visitas.

“Deixar de comprar os itens adquiridos no passado ficou em último lugar entre as prioridades do consumidor neste momento”, comenta o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), João Galassi. Diante do cenário de alta de preços, para manter os mesmos produtos no carrinho, a estratégia mais adotada é buscar uma combinação custo x benefício. “O consumidor quer manter as conquistas e o seu bem-estar. Prefere adotar outras alternativas para economizar do que retirar algo do carrinho.”

Planejamento
Segundo Galassi, a redução de idas ao supermercado está ocorrendo porque está havendo um melhor planejamento da feira de alimentos. Os hipermercados foram os que mais perderam frequência dos consumidores, apesar de um aumento de 6% no tíquete médio. Também passaram a comprar mais nos supermercados de vizinhança (ampliaram a frequência em 7% e o tíquete em 10%) e nos atacarejos (alta de 1% no fluxo e de 14% no desembolso).

Neste sentido, as embalagens maiores têm sido um grande aliado. Em uma sondagem nas 20 categorias mais vendidas nos supermercados, 60% delas aumentaram as opções econômicas. São produtos como chocolate, cerveja, suco pronto, café em pó, leite em pó, azeite, iogurte, água, papel higiênico, fraldas, sabão em pó e xampu. Atualmente, as big packs representam 13% do varejo alimentar, com destaque para catchup, petit suisse, sorvete e batatas congeladas. 

Ainda de acordo com o estudo, para não deixar de consumir um produto, o consumidor tem preferido abandonar a marca líder. Entre os mais afetados estão o café em pó e o suco pronto, cujas opções mais baratas cresceram as vendas em 13% e em 33,6%, em 2013. Cerca de 40% das marcas premium ainda crescem, mas em 55% dessas categorias houve retração de volume médio por compra. “Para manter o carrinho, os lares estão repensando as compras”, avaliou Galassi. Quando é preciso tirar algo, escolhe-se cigarros e bebidas. “É o que justifica a retração na cesta geral de consumo.”

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