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Brasileiro com mais dinheiro no bolso

4 de maio de 2014

Uma estatística do Banco Central confirma o que para muitos é um mito: sem perceber, o consumidor carrega cada vez mais dinheiro no bolso. O que, à primeira vista, parece indicar um avanço da riqueza, é, na verdade, do efeito corrosivo da inflação sobre o poder de compra da moeda. Para piorar, esse sintoma da carestia acaba por realimentá-la, ao induzir o indivíduo a fazer compras por impulso.

Em um ano, o volume de papel-moeda em circulação no país ampliou-se em quase R$ 20 bilhões. Ao todo, a quantidade de cédulas e moedas que correm de mão em mão subiu de R$ 166 bilhões para R$ 185,2 bilhões. Se fossem repartidos igualmente entre todos os brasileiros, daria aproximadamente R$ 100 para cada um. Mas tudo o que esses recursos fizeram, explica o professor José Luis Oreiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi cobrir a demanda da sociedade por dinheiro, sem representar ganho real para qualquer cidadão. “Quando a inflação acelera, as pessoas necessitam de mais moeda.”

Nos pouco mais de três anos de governo Dilma, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, medida oficial do custo de vida, acumulou alta de 22%. A cada ano, a inflação roubou, em média, 6% da renda pessoal. “ Não ficamos mais ricos, apenas nosso dinheiro está valendo menos”, explifica Oreiro.

Vários fatores explicam a escalada da inflação. Entre eles, a política de reajustes reais do salário mínimo, que ajudou a elevar a renda média das famílias e, por tabela, o desempenho do PIB. “Quando se cresce rápido demais, quase sempre se esbarra em gargalos que limitam a expansão”, sublinha Pedro Paulo Silveira, diretor da Vetorial Asset.

Fonte: Diario de Pernambuco

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