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Deutsche Bank revê metas para o Brasil

14 de abril de 2014

SÃO PAULO – O Deutsche Bank revisou suas previsões de crescimento do Brasil em 2015, de 1,7% para 1,4%. A justificativa do banco, que consta em relatório especial sobre a situação econômica do Brasil, divulgado na última sexta-feira, 11, é resultado principalmente da pressão inflacionária e do risco iminente de racionamento de água e energia no ano que vem.

Para 2014, por enquanto, a instituição manteve sua projeção para o crescimento do PIB em 1,7%.

A expectativa do banco para a inflação também foi alterada para 6,3%, de 6% no ano. A estimativa, segundo o relatório, é de que o IPCA fique acima do teto da meta de 6,5% durante boa parte do ano.

Para o economista-chefe do Deutsche Bank, que assina o relatório, José Carlos de Faria, ainda há a intenção de aumento na taxa Selic para conter a pressão inflacionária. "Dada a persistência da inflação elevada, acreditamos que o Banco Central provavelmente vai precisar de outro aumento da taxa de 25 pontos em maio, para alcançar o seu objetivo", afirma.

O economista diz ainda que a valorização cambial recente pode ajudar a conter a inflação, mas também irá atrasar o ajuste de déficit em conta corrente. "Isso tornará o País mais vulnerável aos fluxos internacionais de capitais voláteis."

Por causa do tempo excepcionalmente seco no Brasil, que está prejudicando a produção agrícola e aumentando os custos de alimentos e de produção de energia, na opinião de Faria, "seria prudente adotar racionamento de energia, como medida preventiva". "O governo provavelmente irá tentar evitá-lo qualquer custo, devido ao efeito potencial sobre as eleições de outubro", pondera.

Para o Deutsche Bank, os baixos níveis dos reservatórios de hidrelétricas, que levou o governo a utilizar as térmicas, eleva ainda mais o custo da energia. O texto cita as tarifas administradas pelo governo e diz que apesar do subsídio do governo nas tarifas de energia, "os preços vão, eventualmente, ter de subir, colocando mais pressão sobre a inflação".

A avaliação do economista é de que o rebaixamento do rating soberano do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poors não foi uma "tempestade" que muitos esperavam, principalmente porque os altos juros do Brasil ainda continuam a oferecer um ambiente atraente para investidores estrangeiros. "Ao mesmo tempo, as últimas pesquisas de opinião têm levantado a possibilidade de uma mudança nas políticas econômicas em 2015, contribuindo para melhorar o humor local", destaca Faria.

Ele pondera que ainda continua a trabalhar com o "cenário mais provável", que é a reeleição da presidente Dilma Rousseff. "Continuamos céticos sobre mudanças políticas importantes no próximo ano", conclui.

Fonte: Jornal do Commercio

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