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PIB estadual cresce 3,5%
1 de abril de 2014A aposta era de crescimento maior, mas a economia pernambucana ainda registrou desempenho acima do nacional em 2013. Divulgado ontem pela Agência de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem), o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado apresentou expansão de 3,5% no ano passado, ante 2,3% da média brasileira. A previsão do governo de Pernambuco era fechar o exercício com taxa entre 4% e 4,5%. Apesar de todos os setores analisados (indústria, serviços e agropecuária) terem alcançado performance positiva, os resultados minguados da indústria de transformação e da produção de energia impediram uma taxa mais vigorosa.
"Não vou dizer que decepcionou, porque continuamos crescendo acima da média nacional. A questão é que a indústria de transformação do Estado ainda está atrelada a setores tradicionais, que não tiveram resultados muito expressivos. Além disso, Pernambuco acompanha a tendência nacional do setor, que há alguns anos fala em desindustrialização", observa o presidente da Condepe/Fidem, Maurílio Lima.
Em 2013, o setor industrial cresceu 3,1% (abaixo dos 5,4% do ano anterior). Esmiuçando o desempenho da atividade, a indústria de transformação apresentou taxa de 0,7% e os chamados serviços industriais de utilidade pública (energia, gás e água) avançaram apenas 1%. A construção civil, com taxa de 9,8% foi o segmento que içou a atividade. A economista Cláudia Pereira explica que a diminuição da capacidade de armazenamento de água dos reservatórios em função da estiagem prolongada encolheu a produção de energia hidrelétrica. "Embora o consumo de energia tenha aumentado, a produção foi de outras fontes como termelétrica e eólica, que tem um peso menor no PIB do que a hidrelétrica", esclarece.
O setor de serviços, que responde por mais de 70% do PIB pernambucano cresceu em 2013 (3,9%), mas também com taxa inferior a de 2012 (4,9%). "O resultado da atividade ficou acima do nacional (2%), com destaque para segmentos como comércio (7,8%) e transportes e armazenagem (5,6%). Isso mostra que apesar de ter diminuído em relação a anos anteriores, o consumo das famílias continua forte", analisa o diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Condepe/Fidem, Rodolfo Guimarães.
AGROPECUÁRIA
Depois de uma ano de forte queda em 2012, com taxa negativa de 22,2%, a agropecuária começou a sinalizar recuperação no ano passado. A atividade cresceu 4,9%, mas é preciso lembrar que a base estava bastante comprometida. Pelos dados da Condepe/Fidem, a recuperação foi resultado de melhores safras no primeiro semestre de 2013, principalmente nas regiões sertanejas do Pajeú e do Araripe, onde as chuvas voltaram a cair.
Algumas culturas que foram praticamente dizimadas, a exemplo do feijão, voltaram a crescer (125,3%). A taxa estratosférica é porque em anos anteriores sequer houve plantio. A produção de uva cresceu 1,8% e a de coco da baia avançou 23,7%. Mas nem tudo está normalizado ainda na agropecuária, porque a retomada se dá num processo de médio e longo prazo.
Entre os cinco mais industrializados
Em 2013, o Produto Interno Bruto de Pernambuco (PIB) teve valor estimado em R$ 125,7 bilhões. Com a entrada em operação de grandes empreendimentos, a exemplo da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e das indústrias do complexo químico-têxtil da PetroquímicaSuape, a projeção é que o Estado figure entre os cinco Estados mais industrializados do País. A aposta é que a participação do PIB industrial salte dos atuais 22% para 28%.
Entre 2006 e 2013, o valor do PIB saltou da casa dos R$ 50 bilhões para R$ 100 bilhões. A partir de 2005, o Estado passou a se beneficiar do crescimento exponencial das taxas de crescimento da construção civil, com o início da implantação do Estaleiro Atlântico Sul (EAS). Em 2007 foram iniciadas as obras da Rnest e da PetroquímicaSuape. Também em 2007, o Estado assistiu à inauguração da maior fábrica de resinas PET do mundo, a M&G, comandada pelo grupo italiano Mossi & Ghisolfi.
No interior do Estado, as obras (ainda que muitas paralisações) da transposição do São Francisco e da Transnordestina alavancaram a construção pesada. Também no interior, inauguraram fábricas da BR Foods, Mondelez (antiga Kraft), Nissin-Ajinomoto e tantas outras. Entre 2001 e 2006, a taxa média de crescimento do PIB era de 2,9%. No intervalo entre 2007 e 2012 ficou em 5,1% e no corte entre 2000 e 2012, a média foi de 4,1%. Para 2014, a projeção estimada para o PIB é de R$ 143 bilhões. "Se alguns empreendimentos não tivessem demorado a entrar em operação, a taxa de crescimento do PIB já poderia ser maior", diz Lima. Só a Refinaria Abreu e Lima vai agregar R$ 6,6 bilhões ao PIB do Estado. A Rnest é o maior investimento industrial (individual) já realizado em Pernambuco, com orçamento estimado em US$ 17 bilhões. Com capacidade para processa 230 mil barris de petróleo por dia, a produção de combustíveis (principalmente diesel) e derivados será contabilizado na indústria de transformação.
Fonte: Jornal do Commercio
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