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O país mais caro do mundo
30 de março de 2014Notabilizado por ter as maiores taxas de juros do mundo, o Brasil também pode lamentar outra desconfortável liderança: é o país mais caro do planeta. Os brasileiros sentem no bolso o alto custo de vida todos os dias, mas o preço absurdo de produtos e serviços já extrapolou as fronteiras do território nacional. Estrangeiros que têm vindo ao país, a turismo ou a negócios, têm sido surpreendidos pela carestia desenfreada.
Alguns poucos exemplos bastam para constatar que o Brasil é o campeão dos preços altos. O iPhone 5S vendido no país é o mais caro do mundo. Em grandes cidades, como Brasília, Rio e São Paulo, uma pizza pode sair por US$ 30 (cerca de R$ 70), bem mais do que em Nova York. Carros e eletrodomésticos custam, pelo menos, 50% mais aqui do que em outros países.
Não é à toa que os brasileiros estejam usando a criatividade para protestar contra o alto custo de vida, como o movimento $urreal, que usa redes sociais para denunciar os abusos, e o fenômeno do isoporzinho, que estimula os festeiros a levarem a própria bebida para não pagar a exorbitância cobrada por bares e restaurantes.
O que pode ser novidade para os estrangeiros, no entanto, incomoda a população brasileira desde sempre. O Brasil nunca foi barato porque os problemas que encarecem produtos e serviços são estruturais, diz o economista Alcides Leite, professor da Escola de Negócios. “A alta carga tributária, uma das mais elevadas do mundo, e a ineficiência na cadeia produtiva, na qual faltam investimentos em maquinário e automação, são problemas antigos que colocam o país em desalinho com os preços internacionais”, observa.
Na avaliação da vice-presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Letícia do Amaral, o Brasil taxa muito o consumo, diferentemente de outros países, e os impostos têm efeito cascata. “Um tributo acaba incidindo sobre a base de cálculo de outro, e isso encare os produtos para o consumidor final”, explica. Segundo ela, nos EUA, um iPhone é tributado em 8%, enquanto aqui incidem Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) — em geral, entre 12% e 17% —, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS, Cofins e, caso a mercadoria venha do exterior, o Imposto de Importação, que pode chegar a 60%.
Fonte: Diario de Pernambuco
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