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BC diz que país não tem bolha imobiliária

21 de março de 2014

O preço alto dos imóveis no Brasil não é fruto da especulação sem limites. Essa, pelo menos, é a avaliação do diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Anthero Meirelles, que garante não existir qualquer sinal de bolha imobiliária no país. “Aqui, o preço do ativo não sobe sem justificativa econômica. Além disso, praticamente, não há segunda hipoteca (do bem) e mais de 90% dos imóveis são para moradia (própria)”, assinalou.

O assunto ganhou a atenção do BC após diversas análises de especialistas do setor alertarem para o risco de queda forte dos preços após a realização da Copa do Mundo, em junho. “A gente acompanha o debate (sobre a bolha imobiliária), e precisa responder com dados concretos (a essas preocupações)”, disse Meirelles. A resposta foi um estudo inédito do BC, que traz simulações de variação de preços e os respectivos impactos nos resultados de bancos que operam o crédito imobiliário.

O objetivo era verificar se uma queda muito forte nos preços poderia provocar quebradeira no sistema financeiro, com mutuários devolvendo imóveis aos bancos. Com isso, a instituição quis afastar de vez o receio de que o Brasil possa viver situação semelhante à que os Estados Unidos viveram durante a crise das hipotecas podres (subprime), que desencadeou a maior crise econômica desde 1929.

O BC traçou cenários diferentes para avaliar o comportamento dos preços dos imóveis no país. A cada simulação de queda, media a capacidade do mutuário em honrar a dívida, mesmo que o empréstimo contraído ficasse mais caro que o valor do imóvel. No pior cenário traçado, o BC previu queda de 33% no preço dos imóveis.

O número não foi escolhido à toa. “Esse percentual foi o mesmo verificado na bolha do subprime dos Estados Unidos, mas lá essa deterioração nos preços ocorreu entre abril de 2006 e maio de 2009. Aqui, no nosso teste, eles caíram 33% em um dia”, disse. Mesmo nesse cenário, lembra Meirelles, o estudo indicou que nenhum banco teria problemas para continuar em funcionamento. 

Fonte: Diario de Pernambuco

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