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PIB entre fraco e moderado
17 de março de 2014SÃO PAULO – Com base nos dados de atividade divulgados no começo deste ano, como a produção industrial de janeiro, a fabricação de veículos de fevereiro e informações preliminares de vendas de papelão ondulado no mês passado, economistas avaliam que o Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deve apresentar um desempenho entre fraco e moderado, na margem.
Vários especialistas ponderaram à reportagem que o PIB deve ter um ritmo levemente positivo, em relação ao quarto trimestre de 2013, devido, especialmente, a resultados modestos de investimentos, motivados por alguns fatores: alta de 3,5 pontos porcentuais da Selic desde abril, aperto fiscal pelo governo neste ano e incertezas relativas à gestão da política econômica a partir de 2015.
Há, porém, analistas, como Braulio Borges, da consultoria LCA, que avaliam ser possível a expansão do País um pouco maior, de 0,5% de janeiro a março, devido a outros elementos, como um resultado mais favorável do agronegócio e maior consumo de energia motivado pelo verão intenso, sobretudo na Região Sudeste. Entre os elementos que reforçam a avaliação de que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deve ter um resultado com pouco vigor nos três primeiros meses do ano, está um fator novo: o temor de racionamento de energia, como ponderam as economistas-chefes da ARX Investimentos, Solange Srour, e da consultoria Rosenberg, Thaís Zara.
"Mesmo que não ocorra o racionamento de energia neste ano, há muitas dúvidas sobre a capacidade de geração de eletricidade que colabora para que os investimentos fiquem um pouco mais retraídos neste início de ano", comentou Solange. Um sinal de que este tema é muito relevante para a FBCF o aumento das despesas com eletricidade pelo governo, dentro da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que para ela poderá ficar próxima a R$ 25 bilhões neste ano, bem acima de dispêndios de R$10 bilhões registrados em 2013.
ANO ELEITORAL
Para Solange, o ano eleitoral também é um componente que reduz o ímpeto do avanço da Formação Bruta de Capital Fixo no País. E isso, segundo ela, ocorre num contexto de incertezas sobre como será a política econômica no próximo ano, mesmo com a possível vitória da presidente Dilma Rousseff. "Os resultados da inflação alta e crescimento baixo indicam que a atual gestão da economia é insustentável se for mantida nos próximos quatro anos. Então, os empresários ficam com dúvidas sobre o que poderá ocorrer nessa área a partir do próximo ano", comentou.
Na avaliação de Thaís, com a alta de juros de 7,25% para 10,75% em menos desde abril e a expectativa de um redução substancial dos gastos do governo em 2014, é esperado um arrefecimento do ritmo dos investimentos neste ano, o que influencia diretamente a demanda agregada. "O primeiro semestre de 2013 foi bom para os investimentos. Mas há incerteza sobre o desempenho do nível de atividade no decorrer de 2014, como a realização da Copa do Mundo e agora as incertezas que surgiram com a possibilidade de racionamento de energia", destacou. Em função desta conjuntura, ela aguarda que a FBCF deverá avançar 2% neste ano. Em 2013, a FBCF aumentou 6,3%, uma alta muito influenciada pela base fraca, pois registrou uma queda de 4,3% em 2012.
Fonte: Jornal do Commercio
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