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O ano não começa nem depois do carnaval

11 de março de 2014

O carnaval acabou na quarta-feira da semana passada, mas nem a esticada do feriado até o fim de semana foi suficiente para fazer com que o Congresso retomasse as atividades. Ontem, com plenários esvaziados e corredores praticamente sem movimento, o parlamento subverteu a expressão popular “o ano só começa depois do carnaval”. A única atividade de destaque em 2014 foi a formação de um grupo de cerca de 250 deputados, entre insatisfeitos da base aliada e opositores – o chamado de blocão -, criado para atazanar a vida do Palácio do Planalto, vítima da própria falta de habilidade para negociar com os congressistas. 

O ano já seria complicado mesmo que deputados e senadores quisessem trabalhar: a pauta da Câmara está trancada desde o ano passado, com várias propostas acumuladas, e haverá pouco tempo para votações. Levantamento do Correio Braziliense/Diario publicado em fevereiro contabilizava que, no primeiro semestre, haverá apenas 52 dias úteis para a apreciação e a aprovação de projetos, considerando as quartas e as quintas-feiras. Para piorar, o calendário será extremamente apertado. A partir de junho, com o início da Copa do Mundo e das convenções partidárias com vistas às eleições gerais de outubro, começa o chamado “recesso branco”. É a institucionalização da gazeta.

Na tentativa de quebrar a inércia, a Câmara deve retomar a análise do primeiro dos seis projetos de autoria do Executivo que trancam a pauta da Câmara: o Marco Civil da Internet. A ideia é analisar o tema a partir de amanhã, mas a previsão é de novo adiamento, porque não há consenso. A principal barreira é a postura do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ). Ele frisou que só votará o projeto depois da apreciação do requerimento para que o Congresso investigue o pagamento de propina a funcionários da Petrobras por parte da empresa holandesa SBM Offshore.

Apesar de os prognósticos apontarem para mais uma semana sem votações conclusivas no Congresso, o líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), acredita na possibilidade de começar a análise do Marco Civil hoje. “Isso se o PT não resolver tentar impedir a votação do requerimento da Petrobras. Houve uma pressão muito grande, durante o fim de semana, para que esse requerimento não fosse pautado, mas o presidente (da Câmara, Henrique Eduardo Alves, do PMDB-RN), manteve o combinado”, disse. “Há uma vontade muito grande de criar essa comissão externa entre vários partidos da base aliada, não só no PMDB”, garantiu Imbassahy.

Para o cientista político ouvido pelo Correio Braziliense/Diario, a obstrução das votações passa por outras questões além da insatisfação na base aliada. “O Congresso e a pauta importam pouco neste momento. Em todos os municípios que eu visito, a prioridade são as reuniões preparatórias para a campanha. A disputa eleitoral já começou”, diz o sociólogo Rudá Ricci. (Do Correio Braziliense)

Saiba mais

O que dorme na pauta do Senado

Indexador da dívida de estados e municípios A proposta prevê mudança do índice de correção das dívidas a fim de dar margem maior para que governadores e prefeitos voltem a investir. Senadores pressionam pela votação, mas o governo tenta segurar a discussão.

O que dorme na pauta da Câmara

Marco Civil da Internet 
A proposta da presidente Dilma Rousseff é tratada pelo governo federal como principal ferramenta legal para livrar o Brasil da espionagem estrangeira. O projeto estabelece direitos dos internautas brasileiros e obrigações de prestadores de serviços na web.

Porte de armas por agentes prisionais

O texto, também enviado pelo Executivo, faz parte de acordo entre Planalto e Congresso. A presidente Dilma vetou, no ano passado, projeto sobre o tema e, para manter o veto, se comprometeu a enviar nova matéria. Diferentemente das outras, a proposta impõe exigências aos profissionais que usarem armas.

O que dorme na pauta do Congresso

Emancipalistas
O Congresso tem que decidir se mantém ou derruba veto da presidente Dilma ao projeto que firma normas para a criação de municípios. Movimentos emancipalistas pressionam parlamentares pela derrubada. Planalto tenta negociar novo texto.

O que ainda chegará às duas Casas

Manifestações
O governo diz que finalizou o texto que “regulamenta”  protestos. A ideia é endurecer a lei para acusados de cometerem crimes em manifestações, aumentando a pena. O Planalto quer também criar um padrão de conduta policial e avalia se criminaliza o uso de máscaras.

Fonte: Diario de Pernambuco

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