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Paulo Câmara tem adesão de petista

10 de março de 2014

Na primeira agenda sem a tutela do governador Eduardo Campos (PSB), o pré-candidato ao governo do Estado Paulo Câmara (PSB), atual secretário da Fazenda, recebeu o apoio de um dos 13 prefeitos do PT, hoje na oposição. O gestor de Abreu e Lima, pastor Marcos, subiu ontem no palanque montado pelo PSB, em Paulista, a favor da chapa majoritária, que tem na vice o deputado federal Raul Henry (PMDB) e como pré-candidato ao Senado o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho (PSB). "Estamos juntos nessa campanha de Eduardo (a presidente), Paulo, Bezerra Coelho e Raul", declarou o petista.

O prefeito de Paulista, Junior Matuto (PSB), fez questão de "quebrar o protocolo", passando seu tempo de "fala" para o prefeito petista do município vizinho. O mesmo fez Raul Henry, quando chegou o seu momento de discursar. "Quero aqui pedir permissão para cumprimentar duas pessoas aqui presentes, um ex-prefeito e um prefeito, ambos filiados ao Partido dos Trabalhadores. Estão aqui porque sabem o que é melhor para Pernambuco e para o Brasil! Sejam muito bem vindos!", iniciou, puxando os aplausos. Além do pastor Marcos, referia-se ao ex-gestor de Igarassu, Gesimário Baracho (PT). Em seguida fez forte crítica ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT), argumentando que ela não iria deixar nenhuma marca.

O discurso de Paulo Câmara, ainda pouco ambientado a estar à frente de um palanque, foi deixado por último. Coube aos que o antecederam dar as "alfinetadas" no pré-candidato adversário, senador Armando Monteiro (PTB). Ao rebater a declaração do senador de que ele não carecia de "intensivão" para conhecer Pernambuco, o ex-ministro da Integração Nacional, Bezerra Coelho, devolveu: "Tem gente que pensa que é o patrão do povo, que está acostumado a ser o patrão do povo. E nós temos o povo como nosso patrão", numa velada referência à identidade empresarial assumida por Armando. "A verdade é que a gente sempre fica fazendo intensivão. Eu pensei que o senador tinha um problema no joelho, mas parece que é na memória. Ele fez o intensivão na Frente Popular. Nós o elegemos senador", completou.

O prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), retomou a estratégia adotada na campanha de 2012 e aconselhou: "O outro candidato só se pronunciou duas vezes e foi pra fazer ironias. Por isso, não entre nessa rinha, Paulo. Enquanto eles fazem 50 ironias, fazemos 100 reuniões!". Também sobrou para o senador Humberto Costa (PT), eleito em 2010 pela coligação da Frente Popular. O deputado estadual Guilherme Uchôa (PDT) e Bezerra Coelho combinaram e disseram que era preciso que a coligação liderada pelo PSB elegesse o senador para "valer por dois", já que "elegemos dois e perdermos os dois".

Diante de um público já um pouco disperso depois de mais de duas horas de discurso, Paulo Câmara não conseguiu empolgar tanto. Com uma fala pausada e monocórdica, exaltou a sua "motivação" em continuar o legado do seu padrinho Eduardo Campos (PSB) e fazer mais. Antes, na coletiva à imprensa, se comprometeu a registrar em cartório o seu programa de governo, assim como fez o prefeito Geraldo Julio. "Até porque vou cumprir tudo", respondeu.

INFIDELIDADE

A presidente estadual do PT, deputada Teresa Leitão, afirmou que já havia denúncias do partido em Abreu e Lima contra a "infidelidade" do prefeito Marcos José: "Não é uma surpresa. Já tínhamos denúncias, vamos abrir um processo, porque isso é infidelidade partidária. E, sim, cabe expulsão". Quanto a Gesimário, não acreditou que o ex-prefeito tenha ido em apoio a Câmara. "Conversei com ele, não irá apoiar. E também são dois pesos diferentes, Gesimário não é prefeito", frisou.

Fonte: Jornal do Commercio

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