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1 milhão de cartas encalhadas
20 de fevereiro de 2014Em 20 dias de greve, estão amontoadas nos depósitos dos Correios em Pernambuco cartas e encomendas equivalente a seis dias inteiros de trabalho. Isso significa dizer que 33% de tudo o que precisava ser entregue (nesse período de paralisação) está encalhado. Os Correios evitam divulgar o número exato de cartas, mas o volume que estaria sendo desovado nos mutirões dos fins de semana permite estimar o tamanho da montanha. A média de entrega nos mutirões de sábado e domingo seria de 300 mil cartas e encomendas. Numa conta rápida, um dia significa 150 mil entregas e os seis dias acumulados significaria 900 mil correspondências pendentes. O problema é que até os números do mutirão podem estar inflados.
Pelas contas dos Correios, se a greve acabasse hoje, seriam necessários até sete dias para regularizar a situação. Um prejuízo para usuários e empresas, que ficam reféns do impasse entre governo e trabalhadores. Pessoas comuns que precisam receber e enviar documentos, pagar contas ou receber uma prosaica carta. Representantes do sindicato dos trabalhadores dos Correios reconhecem que a paralisação prejudica o cidadão e é impopular, mas alegam que precisam reivindicar seus direitos.
Do lado dos Correios, a empresa informa que aguarda a definição da data do julgamento do dissídio pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Os funcionários dos Correios entraram em greve no final de janeiro, questionando a implantação do Postal Saúde (novo plano de saúde criado pela empresa, que substitui o CorreiosSaúde). Os trabalhadores alegam que o plano antigo era mais barato.
Nas reuniões com os representantes dos trabalhadores e em comunicados à imprensa, os Correios fazem questão de reafirmar que "não haverá nenhuma alteração no atual plano de saúde dos trabalhadores, o CorreiosSaúde. Nenhuma mensalidade será cobrada, os dependentes regularmente cadastrados serão mantidos e o plano de saúde não será privatizado. Todas as condições vigentes do CorreiosSaúde serão mantidas, os percentuais de co-participação não serão alterados e os trabalhadores dos Correios não terão custos adicionais".
"Desde o início de janeiro, o plano CorreiosSaúde, que atende os empregados da ECT e seus dependentes, passou a ser operado pela Postal Saúde, registrada na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com política e diretrizes definidas pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). As regras do plano não foram alteradas", explica o texto.
Ontem, em Pernambuco, do total de 1.500 carteiros, 57,42% não compareceram ao trabalho, segundo o sistema eletrônico de presença dos Correios. A empresa também afirma que em 20 unidades no Estado, os grevistas estão descumprindo a decisão do TST de manter, no mínimo, 40% do efetivo em atividade.
Apesar dos prejuízos, entidades de defesa do consumidor explicam que a greve não é motivo para deixar de honrar compromissos financeiros.
A recomendação é procurar outros meios de pagamento caso as faturas não cheguem, a exemplo de internet e casas lotéricas. Somente se o consumidor não conseguir, por nenhuma via, cumprir com as responsabilidades é que pode culpar os Correios.
Fonte: Jornal do Commercio
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