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Indústria decepciona em 2013

5 de fevereiro de 2014

RIO – Nem os incentivos do governo nem o dólar mais forte foram capazes de salvar a indústria brasileira de um resultado mediano em 2013. A produção decepcionou em dezembro, com tombo de 3,5% ante novembro, fazendo a indústria fechar o ano com crescimento de apenas 1,2%, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou aquém das expectativas, longe de recuperar a perda de 2,5% acumulada em 2012.

Na passagem de novembro para dezembro, a indústria registrou o pior resultado em cinco anos. Houve queda generalizada, com taxas negativas em 22 dos 27 ramos investigados. "O mau desempenho indica que a produção pode enfrentar mais um ano de crescimento moderado", previu Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados. A consultoria reduziu a sua expectativa de expansão para a indústria em 2014, que passou de 2,2% para 1,8%.

"Em 2013, houve recuperação na produção de caminhões, e o resto ficou elas por elas. A gente vai ter mais um ano de crescimento mediano. Esperamos algum alento por conta do câmbio mais favorável", afirmou Thaís.

O professor Antônio Corrêa de Lacerda, do Departamento de Economia da PUC-SP, também espera um alento por causa do câmbio, permitindo um avanço de 2,0% a 2,5% na produção neste ano. "A competitividade ainda é ruim e, relativamente aos nossos competidores, o câmbio não mudou tanto. Mas, de qualquer forma, há uma melhora", afirmou.

No entanto, as turbulências na Argentina, principal destinos dos manufaturados brasileiros, pode levar a nova redução na estimativa de crescimento.

"É possível que a gente tenha alguma surpresa em 2014, sim", disse Thaís, da Rosenberg.

Em dezembro, as paralisações de linhas de produção para férias coletivas puxaram o resultado negativo. "Segundo o IBGE, 1.300 empresas participantes da pesquisa usaram como justificativas as férias coletivas para a redução na produção em dezembro, contra 500 em 2010", informou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

As férias coletivas nas empresas afetaram especialmente o desempenho do setor de veículos automotores, com retração de 17,5% na produção de automóveis e caminhões em dezembro ante novembro.

"O setor de veículos automotores está com estoque maior que o desejado", explicou Macedo, citando maior restrição ao crédito, juros mais altos e inadimplência como causas do acúmulo.

Se, por um lado, os veículos ajudaram a derrubar a indústria em dezembro, a atividade foi a principal responsável por manter a produção nacional em território positivo em 2013. Isso, em grande medida, em função dos incentivos concedidos pelo governo.

Fonte: Jornal do Commercio

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