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Planos sacrificam os clientes idosos

2 de fevereiro de 2014

Um estudo de conclusão de mestrado atesta o que a população mais velha já sente na pele todos os dias. São os idosos o grupo populacional que mais tem queixas contra os planos de saúde, de forma proporcional em relação às outras faixas etárias, e também são eles os que mais têm dificuldades para terem aprovadas as requisições de tratamento médico. A tese é do aluno de mestrado Wilson Marques Vieira Júnior, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Rio de Janeiro.

Vieira Júnior analisou 92.235 reclamações que chegaram à Agência Nacional de Saúde (ANS) entre 2010 e 2012. O trabalho focou apenas a realidade do Sudeste brasileiro. "Os idosos correspondem a 11% da carteira de clientes do Sudeste. Esse grupo de 11% representa 25% do total de reclamações. É o grupo que tem mais queixas. O coeficiente de reclamações para cada 10 mil beneficiários nesta faixa de idade corresponde a 60 reclamações para cada 10 mil clientes, contra 25 reclamações para 10 mil consumidores de faixas etárias mais baixas", diz.

Na sua avaliação, os idosos precisam reclamar mais que outros grupo e são mais afetados pelo comportamento das empresas. "Elas impõem diversas restrições de atendimento por conta do risco de utilização, pois buscam o lucro. Como os idosos usam mais o serviço, eles também têm mais negativas", diz.

Apesar de o estudo focar a realidade do Sudeste, o quadro não muda em outras regiões. Só para se ter ideia, na média nacional, os idosos representam 10% da clientela dos planos. Em Pernambuco o quadro é parecido. "Os planos de saúde prometem uma coisa e fazem outra. Meu esposo teve muita dificuldade para que o plano aprovasse a liberação de sua hemodiálise. Eu acredito que por ser idoso, ele teve mais dificuldades. E essa não foi a única vez. Passamos muito tempo também para aprovar uma tomografia, que é um exame caro", atesta a professora aposentada Dilma Maria da Silva, de 73 anos.

A aposentada Emerita Oliveira, de 76 anos, também relata que há três anos demorou mais de 12 meses para conseguir aprovar uma cirurgia no ombro, depois que sofreu uma queda. Essa semana ela tentava aprovar um exame, para avaliar a gravidade de uma dor no nervo ciático, que a impedia de andar. Enquanto seu esposo, filho e nora tentavam liberar o exame, ela esperava no carro, do lado de fora do escritório do plano, por dificuldades de locomoção. "Tentar marcar pelo call center é pior", relatou.

O mestrando salienta que essas dificuldades mostram a necessidade de o governo apertar mais as empresas. "Num contexto atual de envelhecimento da população, o setor afeta mais os grupos de risco e doentes crônicos. Vem daí a importância da regulação e de um controle sobre as empresas, que, no fundo, visam o lucro e, para isso, restringem a utilização dos serviços."

Fonte: Jornal do Commercio

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