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Como a Argentina afeta o Brasil

28 de janeiro de 2014

A Argentina vive uma séria ameaça de crise cambial. A inflação está em disparada, e os juros podem subir. As consequências de uma gestão econômica no mínimo questionável, iniciada ainda no começo dos anos 2000, não se restringem ao país vizinho, maior parceiro comercial do Brasil na América Latina. A depender dos desdobramentos, a situação pode trazer sérios estragos para cá, sobretudo para a indústria e os investimentos.

A forte desvalorização do peso argentino tende a baratear a produção vizinha, tornando as importações mais competitivas, e encarecendo os produtos brasileiros. Assim, nossas exportações ficarão mais caras. No topo da lista das vendas nacionais para os hermanos estão produtos como automóveis, minério de ferro, tratores, caminhonetes e veículos a diesel. São elementos importantes na balança comercial brasileira.

No sentindo contrário, eles comercializam para o Brasil principalmente também automóveis e produtos relacionados, trigos e misturas e produtos petroquímicos. Na prática, significa que esses itens podem chegar aqui mais baratos.

Nas trocas com o Estado – cuja balança comercial com a Argentina fechou deficitária em 2013 -, pesam as exportações pernambucanas de ácido tereftálico, ou PTA, matéria-prima para artigos plásticos, que tem a fábrica da Mossi & Ghisolfi, no Complexo de Suape, como grande expoente. Há ainda as baterias de automóveis de produção do Grupo Moura, em Belo Jardim, além de borracha, chapas de alumínio e outros derivados de plástico.

No ano passado, a Argentina desbancou os Estados Unidos e se tornou o principal destino de produtos pernambucanos. As exportações para os EUA somaram US$ 90,83 milhões, contra US$ 137 milhões para o país vizinho.

O presidente da consultoria Datamétrica, Alexandre Rands, lembra que o impacto na balança já vem sendo sentido por causa dos entraves e do alto rigor às importações criados pela presidente Cristina Kirchner. A professora de economia da Faculdade Boa Viagem e colunista da JC News, Amanda Aires, ressalta que os produtos brasileiros que não são competitivos nos Estados Unidos e na Europa, fundamentalmente os industrializados, têm como principal destino o mercado argentino. "Quando um parceiro vai mal, nós vamos mal."

A conjuntura, portanto, também respinga na credibilidade do Mercosul. A expectativa é que o bloco feche ainda neste início de ano um acordo comercial com a União Europeia. O Brasil, na verdade, tem ficado de fora do novo jogo comercial internacional. Na América do Sul, por exemplo, não participa da promissora Aliança do Pacífico, formada por Chile, Peru, Colômbia e México.

Na avaliação do economista Jorge Jatobá, da consultoria Ceplan, existe o temor, por parte de alguns analistas e investidores, de que a crise argentina contamine os vizinhos, o que agrava a situação para o lado de cá. Uma vez que o Brasil passe a ser visto como uma economia mais arriscada, a tendência é que o investidor internacional cobre taxas de juros maiores para garantir o seu retorno.

Por lá, apesar de o ministro da Economia, Axel Kicillof, negar, a desvalorização da moeda já afeta preços e salários. Segundo a cobertura internacional, empresários já retiram produtos das vitrines e sindicatos pedem altas salariais.

Fonte: Jornal do Commercio

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