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Selic em alta torna a poupança melhor
17 de janeiro de 2014O novo aumento da taxa Selic para 10,5% ao ano melhora o rendimento dos investimentos de renda fixa em relação à poupança, tanto antiga quanto a nova (aplicações realizadas a partir de maio de 2012). Isso porque, com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança mantém a mesma remuneração de 0,5% ao mês mais a TR (na média de 30 dias, pagou 0,03% ao mês). Mas essa vantagem só é possível para investimentos em renda fixa (CDBs, Fundos DI, LCI e LCA) cujos bancos cobram taxa de administração menor que 1%, o que só é possível para investimentos altos, acima de R$ 10 mil aplicados. Para quem tem menor poder de fogo, os bancos vão cobrar taxas maiores e essa despesa terá o poder de "comer" a vantagem em relação à poupança, que, por sua vez, ainda tem duas outras vantagens: maior liquidez e isenção do Imposto de Renda.
"Para os pequenos é melhor a poupança, até mesmo em relação aos títulos públicos que podem render menos, se a pessoa resolver sacar o investimento antes da data de vencimento, que tem prazos de resgate a partir de 2017", considera o diretor de Economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatti. Agora, para quem não precisa do dinheiro e pensa no longo prazo, a poupança deixa de ser atrativa em qualquer comparação, até mesmo para os pequenos (veja comparação no quadro). "Se a pessoa tem certeza de que o dinheiro guardado é para o futuro, os títulos são melhores, pois pagam mais", afirma. Vertamatti diz que, mesmo remunerando menos, a poupança vai continuar sendo o investimento do brasileiro médio "pela simplicidade, pela não incidência de IR e pela facilidade de depositar e sacar (liquidez)".
"Para prazos de investimento menores que um ano a poupança é vantajosa, mas não ganha muito da inflação (que fechou em 5,91% em 2013)", pondera o gestor da Finacap DTVM. O gestor comercial da HPN Invest, Paulo Brito, comenta que a poupança paga, na média, 70% do CDI (taxa de empréstimo entre bancos que acompanha a Selic) e, como houve alta dos juros básicos, ela vai variar positivamente também, mas pondera. "Poupança como investimento nunca foi um bom negócio", diz, lembrando que títulos do tipo LFT, CDBs e LCIs (que também são isentos de IR), são opções que vão ficar mais atraentes com o aumento da Selic. "Com R$ 50 mil, um banco de segunda linha paga 100% do CDI, o que representa um ganho 30% superior à caderneta. Com o Fundo Garantidor de Crédito (que garante aplicações de até R$ 250 mil), se torna um investimento sem risco", comenta.
Leandro Lima pondera que o brasileiro não busca a poupança por questões de segurança. "Quem garante a poupança é o governo. Os títulos públicos também, portanto essa não é questão", avalia. Segundo ele, o poupador escolhe a caderneta pela facilidade de contar com o dinheiro no caso de algum imprevisto. "A pessoa pode construir uma poupança de curto prazo, mas também de médio e longo prazos, de forma a proteger esse dinheiro das necessidades de recursos imediatos", diz. "Neste caso, uma LFT que paga hoje 12,52%, mesmo que seja resgatada em menos de dois anos, será uma opção melhor", diz. Segundo o gestor, neste caso, a pessoa vai ter um resgate com deságio, pagará IR de 15% e ainda a taxa de custódia do Tesouro (em média 0,5% do volume investido). "Num caso como esse, a remuneração sairia a 10,09%. Não tem nem o que pensar", contou.
"Com os juros subindo, a remuneração de todos os papéis acaba subindo, enquanto a poupança está travada e começa a perder competitividade", argumenta.
Fonte: Jornal do Commercio
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