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Hora de investir em ações

5 de janeiro de 2014

O mercado acionário brasileiro teve um mau desempenho este ano e deve fechar 2013 com o Ibovespa (índice das principais ações negociadas) numa queda de mais de 17%. Enquanto isso, outros mercados ao redor do mundo registram variações positivas, como o Dow Jones, da Bolsa de Nova Iorque, que deverá encerrar o período com crescimento acima dos 20%. O resultado ruim no Brasil tem vários motivos, alguns ligados às empresas, cujas perdas da Petrobras e o mico do grupo X são dois grandes exemplos. A gestão da política econômica brasileira também afastou os investidores que foram se proteger nos Estados Unidos, atraídos pelos estímulos do governo americano que passou a despejar trilhões de dólares na sua economia desde 2009. Para consultores ouvidos pela reportagem, todo o cenário negativo também dá brechas às oportunidades. Quem quer se arriscar na baixa poderá encontrar pechinchas que poderão gerar um retorno no futuro.

Para o gestor comercial da HPN Invest, Paulo Brito, o resultado positivo, no entanto, depende de uma escolha criteriosa de empresas para apostar na compra. "Há opções excelentes de companhias listadas. Não é porque a Bolsa caiu que não vai haver empresas em alta. Há grupos empresariais que valorizaram 20% este ano", lembrou. Segundo o consultor, há também empresas que mesmo "andando de lado" em 2013, tem grande potencial de crescimento por apresentarem boa gestão e bons fundamentos. "Empresas do setor de educação deram excelentes oportunidades. No consumo eu destacaria Arezzo, Lojas Americanas, Porto Seguro. Ambev dá para acreditar no longo prazo. Todas têm gestão extraordinária", comentou. "Para quem quer entrar há opções de companhias subvalorizadas, com valor patrimonial abaixo do que o mercado calcula." Brito alerta, no entanto, que, como não há como prever o futuro, é necessário que o investidor tome cuidado. "Trabalhamos com operações estruturadas. Usando mecanismos de arbitragem e hedge conseguimos resultados de rendimento de 19% este ano."

O gestor de fundos de investimento da CRPC Asset Management, Luiz Fernando Araújo, também acredita no potencial da Bolsa, mas a sua estratégia difere da visão de curto prazo do chamado "stock picking" (seleção de ações). Para ele, a Bolsa funciona como uma grande opção para longo prazo. "Realmente este ano foi ruim pra a Bolsa, mas agora é a hora de entrar", salienta. Ele defende que quem investe em renda variável nunca deveria olhar no horizonte de um ano. "É irrelevante o que vai acontecer no ano que vem", opina. Ele argumenta que o índice Bovespa, desde a febre de abertura de capitais ocorridas antes de setembro de 2008, ainda não voltou ao patamar daquele ano de 75 mil pontos negociados. "Neste período chegou a 33 mil pontos e hoje está em 50 mil. Desde que estou no mercado, a partir da década de 90, nunca se passaram 5 anos sem o índice ultrapasse o patamar anterior. O que está acontecendo atualmente é raríssimo", diz, para reforçar que sua expectativa é de crescimento nos negócios para os próximos anos.

Ele defende que investir em ações ao longo do tempo garante rendimentos maiores em relação à renda fixa e até mesmo ao ouro, por conta do risco. "Nos últimos cinco anos a Bolsa ficou abaixo do CDI. Esse é um indicativo que a gente está com a Bolsa barata e que ela ainda não gerou o retorno que, em tese, deveria gerar", argumenta. Na sua visão, o resultado ruim de 2013 tem relação direta com efeitos pontuais ocorridos no período e que não devem se repetir já a partir de 2014. "O Ibovespa caiu pela redução do lucro total das ações que o compõe. Em 2010, essas empresas geraram lucro líquido de R$ 180 bilhões. Este ano caiu para R$ 115 bilhões, numa diferença de mais de R$ 60 bilhões. Se formos olhar mais atentamente, companhias como Petrobras e Eletrobras são as principais responsáveis por isso", destaca.

Na sua opinião, essas empresas foram afetadas por eventos que não devem se repetir. "No caso da Eletrobras, seu resultado foi afetado pela intervenção do governo, assim como a política de preços da Petrobras para evitar inflação. A Vale também registrou prejuízo por causa de um passivo fiscal. São efeitos não recorrentes e, portanto, seu fluxo vai se normalizar", disse. "As empresas que compõem o índice têm um valor de mercado, historicamente, de 10 vezes o seu lucro. Mas se o lucro estiver subestimado e for recuperar, a partir de 2014 teremos um potencial grande de alta. O referencial de valor é o preço divido pelo lucro", diz.

O consultor da Finacap DTVM, Leandro Lima, lembra, no entanto, que o principal risco atualmente é justamente o cenário incerto para 2014. "O desempenho do Ibovespa este ano foi o pior em relação aos das principais economias mundiais", considera. Ele salienta que as questões específicas das principais empresas que compõem o índice brasileiro contribuíram muito, mas também destaca a política macroeconômica tanto do Brasil como dos Estados Unidos e Europa como fatores fundamentais para o mau desempenho brasileiro.

"Por isso, analistas falam em selecionar a empresa certa, não dá para comprar um lote delas. O investidor tem de ser perspicaz e fazer uma peneira grande", argumenta Lima.

Fonte: Jornal do Commercio

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