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Enfrente a enxurrada de gastos

3 de janeiro de 2014

Embora para muita gente o ano só comece "de verdade" depois do Carnaval, as contas típicas do início do ano não esperam o descanso da folia: IPVA, DPVAT, IPTU, matrícula e material escolar… tudo requer atenção agora. Aproveitando descontos e com algum planejamento, é possível reduzir o impacto dessas despesas e se programar para ter menos preocupação neste início de 2014.

Analista financeiro e professor da Faculdade Boa Viagem, Roberto Ferreira reforça o conselho clássico dos especialistas em finanças pessoais: pagar tudo à vista sempre será a melhor opção. No entanto, considerando que a educação financeira da maioria das pessoas é deficiente e poupança ainda não faz parte da cultura doméstica brasileira, ele orienta o uso do bom senso. "Se a pessoa não tem uma poupança ou saldo em conta corrente suficiente para pagar à vista e não ficar apertado, é melhor parcelar", ensina.

Já para quem tem uma sobra na poupança, ele orienta que deve ser considerada a opção de pegar esse dinheiro para pagar as contas, já que o parcelamento sairia mais caro do que o rendimento desse valor na caderneta. Ele exemplifica com o Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA): com a opção pelas três parcelas, a taxa fica 5,35% mais cara por mês, enquanto na poupança renderia 0,5% mensalmente. "Você deixa de ganhar uma rendimento pequeno para se livrar de uma conta alta". Porém, a reposição desse valor deve ser um compromisso, para não prejudicar a reserva que pode servir como apoio em emergências ou para investimentos em projetos familiares, como a viagem de férias.

Em relação à prática de poupar, o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Oliveira, ressalta que o ensinamento tradicional de poupar 20% do que se ganha, continua válido, mas para quem tem dificuldade, qualquer percentual é válido para começar. "Pode começar com qualquer percentual. Uns 5% já é alguma coisa e 10% está bem razoável", complementa.

Assim como Roberto Ferreira, o sócio-diretor da consultoria Finacap, Aristides Bezerra, e Miguel Oliveira lembram que o melhor caminho para não ficar no vermelho no início do ano – e nem em qualquer outro período – é o planejamento. "Essa é uma boa época para se programar para o que se deseja fazer, focando no equilíbrio entre o que se ganha e o que se gasta e estabelecendo objetivos para serem alcançados ao longo do ano", pontua Bezerra. Fazer essa análise tem outro benefício: informando-se sobre meios alternativos de conseguir descontos e agendando datas em que isso é feito, os abatimentos ganham relevância. Nas escolas, por exemplo, a compra de fardamentos e as matrículas saem mais em conta no mês de dezembro e às vezes até o início de janeiro.

Para quem mora no Recife, há também a vantagem de exigir a nota fiscal eletrônica. Com ela, o contribuinte junta 30% de todo Imposto Sobre Serviços (ISS) pago durante o ano para descontar no IPTU. "Há quem consiga descontar até R$ 200", revela o secretário de Tributação do Município, Márcio Carvalho.

Fonte: Jornal do Commercio

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