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Barganha de R$ 2 milhões
20 de dezembro de 2013O salário de R$ 9 mil e as vantagens de um legislador não foram suficientes para o grupo de vereadores presos em Caruaru. Responsável por elaborar e discutir projetos de interesse popular, os parlamentares da cidade exigiram R$ 2 milhões para aprovar a proposta que viabilizaria um empréstimo R$ 250 milhões para a implantação do BRT (Bus Rapid Transit) em Caruaru. A Polícia Civil informou, ontem, que o montante seria dividido entre os vereadores. O esquema foi articulado entre a oposição e a alguns membros da bancada de governo, mas cada grupo tinha seus articuladores. A polícia ainda está investigando a participação de mais um parlamentar, que pediu delação premiada por repassar informações sobre o esquema. O envolvido não teve o nome informado. Alguns detalhes só serão divulgados após a conclusão das investigações, prevista para o dia 30.
O delegado da Gerência de Controle Operacional do Interior, Erick Lessa, afirmou que não foram encontrados indícios de pagamentos de propina por parte da Prefeitura de Caruaru. "Não houve repasse. Até porque o Executivo municipal não aceitava esse tipo de medida. O decorrer das investigações nos levou à conclusão de que o Executivo não aceitou nenhum tipo de propina", afirmou. O dinheiro exigido pelos vereadores se refere ao projeto de lei 6.593/2013, relativo a um pedido de empréstimo de R$ 250 milhões, que será feito à Caixa Econômica para implantação do BRT. No entanto, a tramitação de mais três propostas estão sendo apuradas pela Polícia Civil.
"As investigações apontavam que vereadores da situação e oposição solicitavam valores do Executivo e de empresários a fim de aprovar ou reprovar projetos de lei. Ele faziam barganhas o tempo todo para aumentar esses valores. São dois grupos, seis da oposição e cinco da situação. Em cada um desses grupos existiam lideranças e articuladores para tentar financiar esse esquemas fraudulentos. Em determinados momentos, a oposição (agia) individualmente e a situação individualmente, mas em determinados momentos (agiam juntos) sim", informou o delegado. Todos os vereadores de oposição estão envolvidos.
A Operação Ponto Final prendeu os vereadores governistas Silvaldo Oliveira (PP), Cecílio Pedro (PTB), Pastor Jadiel e Val das Rendeiras, ambos do PROS. Na oposição, foram detidos Joseval Lima (DEM), José Evandro Silva (PMDB), Lourinaldo Morais (PS), Jaílson Soares (PPS), Eduardo Cantarelli (PMDB) e Neto (PMN).
A Polícia Civil não informou se há participação de empresários no pagamento de propina. No dia da prisão dos envolvidos, foram encontrados cheques que somam R$ 165.137,50, além de R$ 50.625,50 em espécie e 50 euros. A Polícia encontrou uma espingarda calibre 36, outra calibre 32 e um revólver calibre 38 com o vereador José Evandro Silva. Com Joseval Lima, foram encontrados um revólver, uma espingarda calibre 32 de cano cerrado, um rifle calibre 38 e uma espingarda calibre 12 de cano cerrado.
Fonte: Jornal do Commercio
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