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Economia estadual deve desacelerar

20 de dezembro de 2013

Os anos de 2013 e 2014 serão de transição para a economia de Pernambuco. As altas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tendem a arrefecer, graças à desmobilização de grandes canteiros de obras (Refinaria Abreu e Lima e PetroquímicaSuape) e às indústrias que começam a operar, mas as informações ainda não entraram na conta da atividade econômica. A projeção é que a performance do Estado volte a se aproximar do desempenho do Brasil, reduzindo o descolamento pernambucano por conta das altas taxas. Essas constatações estão na 15ª edição da Análise Ceplan, divulgada ontem, que fez um balanço de 2013 e apresentou perspectivas para 2014.

A previsão é que o PIB de Pernambuco feche em 2% e acompanhe a tendência das projeções brasileiras para os próximos anos, ficando entre 2,5% e 3%. "A economia pernambucana não foi muito bem em 2013 e a previsão é que se recupere um pouco no próximo ano, mas sem um crescimento muito vigoroso. Isso acontece por conta da desmobilização das grandes obras, que vai reduzir a atividade da construção civil (responsável por içar o PIB nos últimos anos). Além disso, as novas indústrias que começaram a operar, a exemplo da PetroquímicaSuape, ainda não são captadas pelas estatísticas do IBGE (e não figuram na formação da taxa do PIB)", explica o economista Jorge Jatobá.

O fim das obras da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) vai significar o desligamento de 42 mil operários entre 2014 e 2015. Desses, 58% são de Pernambuco. O Ministério Público do Trabalho chegou a criar um fórum para discutir os impactos das desmobilizações e tentar encontrar solução junto à Petrobras, empreiteiras e governo do Estado.

"A questão não é só cumprir uma obrigação legal (de pagar corretamente os direitos trabalhistas), mas de oferecer alternativas sociais. Mesmo sabendo que esse momento iria acontecer a Petrobras, as empresas construtoras e o governo não foram capazes de se planejar. O fim das obras também vai reduzir a atividade econômica, principalmente nos municípios do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca. O comércio, o mercadinho, o mercado imobiliário, o movimento da praia, tudo vai ser afetado", reforça Jatobá.

O economista Valdeci Monteiro acredita que essa fase de transição deve acabar em 2016. "Pernambuco vai continuar a crescer, impulsionado pela entrada em operação das indústrias. Os empregos na construção civil vão diminuir, mas vão surgir ocupações mais qualificadas na indústria", acredita.

A chegada dos grandes empreendimentos contribuiu para turbinar os empregos e elevar a renda média no Estado. Ao longo de 2013, esse crescimento da renda média estagnou, mas Pernambuco conseguiu avançar nos últimos anos. Entre janeiro e outubro de 2012, o rendimento médio ficou em R$ 1.376, enquanto no mesmo período desse ano cresceu apenas 0,7% (R$ 1.385). São acomodações no ciclo virtuoso do Estado.

Fonte: Jornal do Commercio

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