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Embate no reajuste da gasolina

31 de outubro de 2013
BRASÍLIA – Apesar das pressões da Petrobras, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse ontem que não está definido o novo modelo de reajuste automático da gasolina e do diesel e que o assunto não pode ser decidido de afogadilho.

O governo está sendo pressionado pela estatal a definir um mecanismo de aumento dos combustíveis que dê previsibilidade à empresa para recompor seu caixa e garantir o plano de investimento.

 
Segundo a reportagem apurou, a direção da empresa desejava aprovar o novo modelo na última reunião do conselho de administração da Petrobras, na sexta-feira passada, mas esbarrou na resistência do ministro da Fazenda.
 
Mantega ficou irritado com a decisão da estatal de formalizar a proposta durante o encontro, registrando em ata que ela havia sido aprovada, o que levou à divulgação de um fato relevante sobre o tema ao mercado acionário.
 
O tema será novamente analisado no dia 22 de novembro, em nova reunião do conselho de administração.
 
Ontem pela manhã, a Petrobras divulgou, a pedido da CVM, novo fato relevante ao mercado esclarecendo que uma nova metodologia de precificação foi aprovada por sua diretoria executiva e está em análise de seu conselho de administração.
 
METODOLOGIA
A Petrobras, por sua vez, disse que vai definir a periodicidade dos ajustes de preço da gasolina e do diesel antes de implantar a nova metodologia aprovada pela diretoria.
 
No comunicado divulgado ontem, a estatal detalha as mudanças estudadas para o cálculo de reajuste.
 
Anunciada primeiro pela presidente da empresa, Graça Foster, a nova metodologia será baseada em variáveis como o preço de referência dos derivados no mercado internacional, taxa de câmbio e ponderação associada à origem do derivado vendido, se refinado no Brasil ou importado.
 
Também está previsto um mecanismo que impeça o repasse da volatilidade dos preços internacionais ao consumidor doméstico, disse a companhia em nota.
 
Segundo a Petrobras, o objetivo da nova precificação do diesel e da gasolina é dar maior previsibilidade à geração de caixa e redução dos índices de alavancagem (relação do endividamento com o capital).
 
O esclarecimento acontece cinco dias após a divulgação de que haveria uma nova metodologia na carta que a presidente da Petrobras, Graça Foster, escreveu aos acionistas, junto com o balanço do terceiro trimestre.
 
Por conta das importações com preços defasados em relação ao mercado externo, a estatal teve mais uma vez um lucro abaixo do esperado, decepcionando os investidores.
 
Após o anúncio da nova metodologia, as ações da empresa dispararam na Bovespa, anulando o efeito negativo que a queda de 45% do lucro poderia ter nos já combalidos papéis da companhia.
 
A CVM informou à reportagem que acompanha e analisa as informações e movimentações envolvendo companhias abertas e o mercado de capitais, tomando as medidas cabíveis quando necessário. 

Fonte: Jornal do Commercio

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