BRASÍLIA – A Região Metropolitana do Recife é a quarta colocada em um ranking divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) das áreas onde os trabalhadores levam mais tempo, em média, para irem de casa ao trabalho. Com uma média de tempo de 38 minutos, a capital pernambucana e arredores só ficaram atrás das regiões metropolitanas de Salvador (39,7), São Paulo (45,6 minutos) e Rio (47). A pesquisa do Ipea tem base em dados de 2012 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad).
No estudo, a RMR possui ainda o quinto maior percentual de trabalhadores com tempo de percurso superior a 30 minutos (14%). Nesse quesito, além de Rio (24,7%), São Paulo (23,5%) e Salvador (17,3%), ela foi superada por Belo Horizonte (15,7%).
Segundo o Ipea, a classe média, que comprou veículos com a melhoria da renda, está enfrentando mais engarrafamentos. E os trabalhadores muito pobres e os muito ricos são os que gastam menos tempo no deslocamento casa-trabalho. A faixa de renda em que há a maior proporção de trabalhadores que gastam mais de 30 minutos até o trabalho é a de um a dois salários mínimos por pessoa. A parcela é de 57%. Na faixa anterior, de meio a um salário mínimo, 55% levam esse tempo. "A nova classe média é que está tendo impacto no tempo de viagem", afirma Carlos Henrique de Carvalho, um dos autores da pesquisa.
No caso dos que ganham menos de 1/4 de salário mínimo por pessoa no domicílio, 58% gastam menos de 30 minutos no deslocamento. Esse percentual é semelhante aos que ganham mais de cinco salários mínimos (56%). A explicação é que os muito ricos podem morar perto do trabalho e, por isso, gastam pouco tempo nesse trajeto. Já para os muito pobres, o indicador é sinal de imobilidade – ficam restritos a trabalhos apenas muito próximos de suas residências.
Ainda pelos dados, os muito pobres são os que menos têm acesso ao vale transporte (só 12% recebem), contra a média de 40% no País. "Quem mais precisa é quem menos recebe", afirma Carvalho. A pesquisa aponta também que o tempo de deslocamento casa-trabalho nas regiões metropolitanas do País aumentou em 12% entre 1992 e 2012. O tempo médio saiu de 36,4 minutos para 40,8.
As hipóteses da pesquisa são duas: as regiões metropolitanas podem ter ficado mais espalhadas, aumentando o tempo necessário ao deslocamento, e houve um aumento do número de famílias com veículos, o que agravou os engarrafamentos. Esse aumento de número de veículos foi registrado principalmente entre as famílias mais pobres e no Norte/Nordeste do País.
Pela primeira vez, mais de 54% das famílias têm algum veículo em casa. "É o sonho de toda família ter uma casa própria e um carrinho na garagem, como o próprio presidente Lula falava que era o sonho dele", afirmou Carvalho. Para ele, serão necessários grandes investimentos em mobilidade urbana em cidades que têm baixa capacidade para fazer obra.
Nas famílias mais pobres (até 1/4 de salário mínimo por pessoa), o percentual de casas com veículos chegou a 28% em 2012 – na pesquisa de 2008, eram 16%. Já nas famílias com mais de cinco salários mínimos de renda, o percentual é de 88% e cresceu só dois pontos percentuais nesse período. Nas regiões de metropolitanas de São Paulo e Rio, um quarto das pessoas leva mais de uma hora até o trabalho.
Fonte: Jornal do Commercio