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Greve sem previsão de fim

9 de outubro de 2013
De um lado, bancos com lucros robustos e ativos superiores a US$ 100 bilhões. Do outro, bancários cujo piso salarial é de R$ 1,5 mil. No meio, cidadãos prejudicados e comércio que amarga prejuízos. As agências bancárias entram hoje no 21º dia de portas fechadas em todo o Brasil, sem sinal de acordo entre patrões e empregados.

A adesão em Pernambuco, segundo o sindicato local da categoria, já chega a 90%. "Depois da assembleia de segunda-feira, muitos funcionários dos bancos públicos resolveram aderir à paralisação, reforçando o movimento", diz a presidente da entidade, Jaqueline Mello.

 
Ontem, a agência da Caixa Econômica Federal (CEF) Teatro Marrocos, próxima à Praça da República, foi totalmente paralisada. Nem mesmo o gerente conseguiu entrar. É lá que funciona a unidade que presta serviços ao governo do Estado. O dia foi marcado por piquetes em frente ao local.
 
Para hoje, está agendado um novo encontro dos bancários. Desta vez em frente ao Banco do Nordeste, na Av. Conde da Boa Vista.
 
À medida que a greve avança, a situação se complica para quem precisa dos serviços bancários. O auxiliar de escritório Cícero da Silva é apenas um dos milhares de exemplos. Ele está com a senha bloqueada até a renovação do cadastro junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, por isso, não consegue movimentar sua conta bancária.
 
A auxiliar de saúde bucal Mônica Moreira precisou passar quase uma hora na fila de uma casa lotérica no Centro da cidade ontem para conseguir realizar um simples depósito. As unidades da CEF estão sem envelope.
 
Quem precisou de algum serviço no começo da semana encontrou as lotéricas ainda mais congestionadas por causa do sorteio da Mega Sena agendado para hoje. "Pior que ficamos expostos no meio da rua, sem qualquer segurança", reclama.
 
Os efeitos também são sentidos por consumidores que precisam realizar operações de crédito e por empresas que precisam, por exemplo, de financiamento e de serviços de renegociação de dívidas.
 
Representantes do comércio chegaram a enviar, na semana passada, uma carta à Federação Brasileira de Bancos (Fenaban) pedindo um acordo imediato entre bancários e banqueiros, na tentativa de evitar que a paralisação se estendesse para além do 5º dia útil do mês. Os empresários já contabilizam perdas em torno de 30% por causa da greve.
 
As empresas chegaram a fazer uma nova proposta. Mas não houve acordo. A categoria não aceitou a nova proposta de reajuste salarial de 7,1%, no lugar da antiga, de 6,1%. 

Fonte: Jornal do Commercio

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