O Nordeste recebeu o dobro de recursos para financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no período de janeiro a julho de 2013, na comparação com igual intervalo do ano passado. Os desembolsos chegaram a R$ 14,6 bilhões, superando os R$ 7,2 bilhões anteriores. O Maranhão foi o campeão em crescimento no volume liberado, com taxa de 243%. Com o desempenho, desbancou (pelo menos temporariamente) Pernambuco do segundo lugar no ranking dos Estados, atrás da Bahia. A expansão dos desembolsos pernambucanos foi de 27%.
O chefe do Departamento Regional do BNDES no Nordeste, Paulo Guimarães, diz que a alavancada dos financiamentos na região foi motivada pela liberação de recursos para obras de infraestrutura e grandes projetos industriais, a exemplo da implantação de parques eólicos na Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará.
"Pernambuco registrou uma boa evolução, apesar de ter perdido posição para o Maranhão e não ter registrado uma taxa de crescimento tão expressiva quanto outros Estados. Não foi desprezível, levando em conta que grandes projetos estruturadores como a Refinaria Abreu e Lima e PetroquímicaSuape, por exemplo, já tiveram seus financiamentos liberados", pondera Guimarães. Os desembolsos para o Estado saltaram de R$ 1,5 bilhão para R$ 1,9 bilhão. A projeção do banco é que Pernambuco feche o ano com liberações da ordem de R$ 3,5 bilhões, superando os R$ 3,2 bilhões de 2012.
A maior fatia do volume financiado para Pernambuco foi destinado à administração pública (27,26%), em obras de infraestrutura viária, água e saneamento, melhoria da rede hospitalar e infraestrutura portuária e logística de Suape. Entre as indústrias, o destaque foi o financiamento à construção de embarcações para o Estaleiro Atlântico Sul (EAS). Guimarães acredita que no segundo semestre Pernambuco deverá retomar o segundo lugar na lista dos principais Estados a receber desembolsos do banco.
"Ficamos surpresos com os resultados desses sete primeiros meses do ano no Nordeste, com crescimento de 101%, diante da atual conjuntura econômica. Em 2012, os desembolsos para a região totalizaram R$ 21 bilhões e para este ano estamos projetando R$ 23 bilhões", aposta. O executivo destaca que, desde o ano passado, as liberações de financiamentos alcançaram representação equivalente à participação do Nordeste no PIB nacional, que é de 13%. Nos sete primeiros meses de 2013, essa fatia já chega a 14,3%.
O Maranhão registrou um salto exponencial, saindo de R$ 1 bilhão (R$ 606,7 milhões) para alcançar R$ 2 bilhões. Os maiores financiamentos foram para as indústrias de papel e celulose (projeto da Suzano) e mineração (Vale). A Bahia também comemora desempenho expressivo, com taxa de crescimento de 174%. O volume financiado passou de R$ 2,1 bilhões para R$ 5,8 bilhões. "Isso significa que no acumulado até julho o Estado conseguiu superar todo o valor liberado em 2012, que foi de R$ 5,7 bilhões. Estados menores como Alagoas e Paraíba também registraram expansão do volume de financiamentos acima de 100%.
Fonte: Jornal do Commercio