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Governo vira sócio da Transnordestina
24 de setembro de 2013A Ferrovia Transnordestina volta a ser estatal, embora seja uma concessão da empresa de nome homônimo, que pertence ao poderoso grupo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do empresário Benjamin Steinbruch. A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) passou a ter 51,4% do empreendimento no novo acordo de acionistas e de investimentos assinado na semana passada. Administrado pela autarquia, o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) bancará R$ 3,876 bilhões dos R$ 7,54 bilhões a serem gastos. Antes do acordo, o fundo entraria com um aporte de R$ 2,672 bilhões. O preço oficial da obra era de R$ 4,5 bilhões, quando as obras foram iniciadas em junho de 2006. Além de injetar mais dinheiro, o governo federal prorrogou o prazo da concessão da ferrovia até 2057.
A ferrovia pulou para um custo aproximado de R$ 7 bilhões desde março último. "O empreendimento começou sem um projeto executivo detalhado e isso explica a diferença de preços entre o valor inicial e o atual", afirma o chefe de gabinete da Sudene, Epitácio Pedrosa, acrescentando que o mesmo ocorreu em outras grandes obras realizadas pelo governo federal, como por exemplo, a transposição do Rio São Francisco. "A legislação no Brasil permite que as obras sejam iniciadas com o projeto básico. O executivo é mais detalhado, chegando mais perto dos custos reais", argumenta.
Segundo Epitácio, o restante da composição acionária do empreendimento é a seguinte: a antiga Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) detém 25% do empreendimento, 15% será bancado pelo Fundo Constitucional do Nordeste (FNE) e os 8% restantes serão de acionistas menores.
Com uma extensão de 1.728 quilômetros, a Transnordestina vai ligar a cidade de Eliseu Martins, no Piauí, aos portos de Pecém (no Ceará) e ao de Suape. É um projeto estratégico para a Região, porque vai tornar mais barato o transporte dos grãos cultivados no Sul do Piauí, do gesso do Araripe e dos produtos do polo de fruticultura irrigada Petrolina-Juazeiro.
No último balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, a União deu por concluído os primeiros 96 quilômetros da ferrovia. As obras do empreendimento se arrastaram nos três primeiros anos. Em 2009, a Construtora Norberto Odebrecht assumiu a construção, implantando canteiros de obras em algumas cidades. Em 2010, foi inaugurada uma fábrica de trilhos em Salgueiro e 11 mil homens trabalhavam na construção da ferrovia.
Em 2011, as obras desaceleraram de novo e o motivo foi uma renegociação do preço do serviço entre a empresa Transnordestina e a Odebrecht. Resultado: a construtora deixou o empreendimento, oficialmente, no mês passado e agora a empresa contratará outra companhia para realizar as obras.
O prazo de conclusão mais uma vez foi postergado. Agora, é 2016. Procurada pela reportagem do JC ontem pela manhã, a assessoria de imprensa do Ministério da Integração retornou às 18h30 para informar que o Ministério dos Transportes responde pelo acordo assinado na semana passada. A empresa também foi contatada, mas não se pronunciou.
Fonte: Jornal do Commercio
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