As prioridades para o próximo ano devem ser investimentos em infraestrutura, incluindo melhorias em estradas, portos e mobilidade urbana, segundo o estudo Ciclo de Desenvolvimento Regional, Investimentos e Oportunidades, realizado pela Câmara de Comércio Americana para o Brasil (Amcham-Recife). Melhorias nas estradas, portos e mobilidade respondem por 41% das ações que podem ampliar a competitividade da economia pernambucana, na opinião de 247 diretores e executivos de empresas entrevistados na pesquisa.
As melhorias em estradas foram apontadas como a segunda ação que mais contribui para melhorar a competitividade, perdendo apenas para a interiorização do desenvolvimento – citada por 24,74% dos entrevistados. Ontem, o Jornal do Commercio publicou um caderno especial mostrando o precário estado da malha rodoviária que corta Pernambuco.
Melhorias nos portos e na mobilidade também são fundamentais para aumentar a competitividade, na opinião dos empresários entrevistados pela Amcham Recife em julho último. "No Brasil, a infraestrutura está descendo a ladeira. Em 1950, gastava uma hora e meia a duas horas para ir de Recife a Goiana. Na década de 60, passei a fazer esse trajeto em 40 minutos, com a construção da BR-101. Hoje, gasto de uma hora e meia a duas horas devido aos buracos, limite de velocidade e os engarrafamentos que vão desde o Recife até a entrada de Itamaracá", cita o presidente do conselho de infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger.
Ele alega que os três itens mais apontados pela pesquisa, como ações que melhorariam a competitividade, estão interligados "A interiorização do desenvolvimento só ocorre com a infraestrutura e ao mesmo tempo vai precisar de uma educação boa para que as empresas tenham pessoal qualificado", afirmou.
"A mobilidade é um problema que não consegue ser resolvido do dia para a noite, mas tem que ser enfrentado, porque não há outra solução", disse o sócio do escritório Urbano Vitalino Advogados, Urbano Vitalino Neto, que participou do evento e também da pesquisa realizada pela Amcham.
A falta de mobilidade foi um dos principais temas das palestras do Ciclo de Desenvolvimento Regional, realizado ontem pela manhã no JCPM Trade Center, no Pina, pela Amcham-Recife. O evento contou com palestras do secretário das Cidades do Governo de Pernambuco, Danilo Cabral, dos secretários municipais de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Antônio Alexandre, e de Segurança Urbana, Murilo Cavalcanti, e do economista da Ceplan Valdeci Monteiro.
Cabral mostrou várias obras que estão sendo realizadas para melhorar a mobilidade urbana na Região Metropolitana do Recife. "Em Pernambuco, o boom de desenvolvimento em curso tem sérias debilidades estruturais, como gargalos na infraestrutura, baixa produtividade das empresas, a pobreza e a concentração de renda", resume Valdeci Monteiro.
Ainda com relação à pesquisa, outro dado surpreendente: os executivos apontaram como cidades polos mais atraentes: Olinda (36,84%), Petrolina (12,6%), Jaboatão e Cabo de Santo Agostinho, ambas com 11,58%, e Ipojuca, que ficou com 10,53% das respostas dos entrevistados. Dos executivos que responderam à pesquisa, 36,78% ocupam o cargo de diretor, 14,29% são gerentes, 26,53% atuam como presidentes e 20,41% respondem por outras funções.
Fonte: Jornal do Commercio