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Prefeitura devolve terreno
10 de setembro de 2013Após intensa pressão popular e de entidades sociais, a Prefeitura do Recife, o governo do estado e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) anunciaram ontem que o terreno onde funcionava a feira do troca, no Coque, será devolvido à comunidade. A queda de braço entre município, moradores e entidades sociais começou no final do ano passado quando o espaço foi cedido pelo então prefeito João da Costa (PT) à OAB para que fosse construída a nova sede da instituição, apesar de estar localizado em uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis). De volta às mãos dos moradores, o terreno passará por uma requalificação ainda não revelada pelo prefeito Geraldo Julio. Nos bastidores, entretanto, as informações são de que a comunidade – carente em equipamentos de saúde – vai receber uma das seis Unidades de Pronto-Atendimento Especialidades (UPA-E) prometidas por Geraldo na campanha eleitoral.
De acordo com o governador Eduardo Campos, a decisão de devolver o terreno, que tem 4,38 mil metros quadrados, foi tomada ao longo de oito meses de conversa com a comunidade e a OAB. “Estamos aqui celebrando o diálogo. Hoje está havendo um encontro de dois universos: a comunidade, que foi vítima de muitos preconceitos, e a OAB, que presta serviço à comunidade”, afirmou. Já o prefeito disse que o próximo passo será discutir com a comunidade de que forma o terreno será utilizado. “Mas a devolução à comunidade foi, sem dúvida nenhuma, um ato importante”, acrescentou.
Ontem, após o anúncio do cancelamento da cessão do terreno à OAB, o executivo se reuniu com representantes do Coque para colher sugestões e deverá marcar outro encontro ainda neste mês. A UPA-E supriria uma carência local. Atualmente, apenas duas Unidades de Saúde da Família atendem as comunidades do Coque e dos Coelhos. Com a futura ampliação do Terminal Integrado de Joana Bezerra, a metros do terreno, o acesso à unidade seria fácil.
Apesar de ainda não haver confirmação sobre como o terreno será utilizado, o representante do Coque, René Guedes, 49 anos, definiu a devolução como um ato de respeito. “Somos hoje cerca de 6.480 famílias, e saber que nós, uma comunidade de periferia, somos respeitados é importante. É uma vitória para a sociedade e a democracia”, afirmou. O aposentado Orlando José da Silva, 73 anos, morador da Rua Vista Alegre, também comemorou. “O terreno pertence a nós. Gosto daqui porque tudo é perto”, destacou Silva, que é morador do Coque há 49 anos.
Já a professora Sandra Ribeiro, 43 anos, disse que a utilização do espaço pode evitar que ele volte a ser usado como ponto de comercialização e uso de drogas, como acontecia, segundo ela, na época da feira do troca. “Antes, aqui também tinha muito assalto. Sou a favor da construção do prédio da OAB ou de qualquer outro. O que não quero é que volte a ser como antes”, disse.
Fonte: Diario de Pernambuco
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