O preço da cesta básica caiu em agosto, mas ainda está muito acima do que era no mesmo mês de 2012. A pesquisa mensal do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que o recifense teve no mês passado um gasto com alimentação 3,43% menor do que em julho, a terceira maior queda de todo o País. Mas o preço atual da cesta, de R$ 270,37, ainda é R$ 12,28 mais alto do que o valor de um ano atrás.
Desde o início de 2013, a maior parte dos meses foi de subida de preços. Especificamente de janeiro a abril, houve altas consecutivas. A partir daí, começou uma pequena oscilação, com queda em maio, subida em junho e depois duas retrações seguidas, em julho e no mês passado.
"Tivemos uma boa redução de preços em agosto, a segunda consecutiva. Mas infelizmente, no ano, ainda estamos elevados, distantes do patamar de preços de um ano atrás", comenta Jackeline Natal, coordenadora técnica do Dieese. "Vamos esperar que essas quedas continuem para no final do ano a gente ter alguma folga no nosso orçamento", afirma a pesquisadora.
Durante os últimos 12 meses, a maior pressão sobre o valor dos alimentos veio da questão climática. Em parte, um grande vilão foi o conhecido tomate, que registrou uma subida de preços motivo de piadas nos primeiros meses do ano. Especificamente no Nordeste, porém, a farinha de mandioca se transformou em um grande adversário das famílias.
De acordo com o Dieese, uma família nordestina consome, em média, 3 quilos de farinha por mês, o que custava R$ 8,61 em agosto de 2012. Mês passado, esse nível de consumo mensal chegou a custar R$ 19,20, um aumento de preço de 123%. No mesmo período, o tomate teve seu pico de preços, mas, ao final, caiu 30,49%.
"Alguns produtos já estão no limite do seu preço e qualquer aumento adicional prejudicaria o consumo, a saída desses itens", diz Jackeline.
O feijão carioca está entre os itens que subiram muito de preço. Mesmo com sua queda de 10,6% registrada em agosto, o grão ainda acumula uma alta de 21,4% nos últimos 12 meses.
Itens que estão todos os dias na mesa da maior parte da população, o pão e o leite não tiveram variações muito expressivas no mês, porém também acumulam uma subida grande de preços. O pão subiu apenas 3,17% em agosto, mas já está 15,7% mais caro do que há um ano. No caso do leite, praticamente não houve variação entre julho e o mês passado, uma alta de só 0,31%, contra um salto de 27,49% em 12 meses. "Apesar de o preço médio do leite estar em R$ 3,20, já encontramos o produto vendido a R$ 4. Quem tem criança em casa, principalmente, sofre com esse aumento", diz a pesquisadora do Dieese.
Além do tomate, que influencia muito no resultado final da cesta, o óleo e o açúcar são os únicos produtos que no acumulado de 12 meses têm queda efetiva – 10% e 9%, respectivamente.
Fonte: Jornal do Commercio