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BC ataca e dólar, enfim, cai

21 de agosto de 2013
RIO e SÃO PAULO – O Banco Central (BC) e o Tesouro Nacional voltaram a fazer nova ofensiva, ontem, para reduzir a velocidade de alta do dólar. Com ajuda dos mercados internacionais, especialmente os emergentes, que também pressionaram para baixo a cotação da moeda americana, o câmbio enfim fechou em baixa. O dólar comercial, usado nas transações no exterior, registrou desvalorização de 0,91%, e terminou o dia em R$ 2,394.

O BC fez dois leilões de dólares no mercado futuro (o chamado swap cambial) e um à vista, enquanto que o Tesouro recomprou títulos prefixados, que têm perdas quando os juros sobem. Na seara internacional, das 24 moedas emergentes mais negociadas, 13 tiveram valorização em relação ao dólar. O zloty, da Polônia, liderou a lista de divisas que mais subiram frente à moeda americana, com avanço de 1,06%. O real foi a nona moeda com maior ganho em relação ao dólar.

 
Os investidores aguardam a divulgação, hoje, da minuta do Comitê de Políticas Monetárias do Banco Central Americano, que deve jogar luz sobre o ritmo de recuperação da economia dos Estados Unidos. A reanimação norte-americana tem sido a principal causa das elevações do dólar nas últimas semanas, não só no Brasil, mas em todo mundo. Isso porque o maior mercado mundial voltou a se tornar confiável e, por isso, endereço preferido dos investidores.
 
De acordo com Guilherme Prado, especialista em câmbio da Fitta DTVM, o documento deve trazer indícios de quando a autoridade monetária americana deve começar a retirar os estímulos econômicos no país. Para injetar recursos na economia, o Fed recompra mensalmente, desde 2009, US$ 85 bilhões em títulos do governo – parte do dinheiro vira investimentos em outros países, inclusive no Brasil.
 
Fitta analisa que a queda de ontem no dólar em relação ao real foi pontual e a moeda deve ganhar força nos próximos dias. "O BC vai ter que fazer mais do que tem feito. Só apostar no swap cambial não ajuda" afirmou.
 
"O BC está certo ao intensificar a oferta de dólares no mercado futuro, fazendo mais leilões de swap cambial, e os leilões de linha. Mas a verdade é que estamos num contexto de alta global do dólar. O BC tenta atenuar a velocidade de alta da moeda americana frente ao real, mas não vai fazer frente ao movimento mundial de alta do dólar" diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho. "E no caso do Brasil, há ainda os problemas com nossa economia, como baixo crescimento, inflação em alta, déficit em conta corrente, o que contribui para que os investidores levem seus recursos para os EUA, em busca de segurança", acrescentou.
 
ATAQUE
Logo depois da abertura dos negócios no mercado de câmbio, às 9h, o dólar estava sendo negociado com recuo de 0,70%, a R$ 2,399. O BC aproveitou a queda e realizou dois leilões de swap cambial. Nos dois, o BC vendeu 40 mil contratos. No primeiro, foram oferecidos 20 mil novos papéis com vencimento em 2 de janeiro do ano que vem e com um volume financeiro de US$ 993,4 milhões. No segundo, de rolagem (adiamento nas datas de pagamento), e prazo para 1º de abril de 2014, o volume financeiro foi de US$ 986,3 milhões.
 
No swap cambial, o BC firma um contrato com outra instituição financeira. Os termos desse contrato estão traçados no futuro e, por isso, obedecem a uma taxa pré-estabelecida. Exemplo: o BC compra dólares hoje por R$ 2,41 para daqui a cinco meses quando ele está, na verdade, a R$ 2,39 segundo a cotação atual. Como está indicando um preço lá na frente, espera conter a alta desenfreada até lá.
 
Outros investidores podem seguir o mesmo caminho e assim, as rédeas do mercado, fazem com que o dólar caia de patamar. Grosso modo, é um efeito psicológico. O dólar à vista – referência no mercado financeiro – teve queda de 0,30%, e fechou a R$ 2,399. 

Fonte: Jornal do Commercio

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