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Impulso que faz mal para o bolso

12 de agosto de 2013
Foi ao supermercado para comprar leite, pão e feijão e saiu também com o bolo, sorvete, alguns temperos, uma tábua de passar roupa que estava na promoção e mais uma blusa de malha. A impulsividade diante das gôndolas se tornou comum entre consumidores brasileiros, que frente à grande variedade de itens e bombardeio das ofertas são tentados a gastar no supermercado mais do que tinham planejado. Pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que os super e hipermercados ultrapassaram os shoppings como lugares nos quais os consumidores mais se deixam levar pelos impulsos. Segundo a pesquisa, que alerta para o risco do descontrole no orçamento doméstico, 34% dos entrevistados admitiram gastar mais do que o planejado quando estão em supermercados, contra 25% dos shopping centers.
 
O estudo do SPC/CNDL apontou que as compras sem planejamento são uma prática comum principalmente nas classes A, B e C. Para não se render à tentação de colocar no carrinho uma variedade de itens que não estavam adicionados às despesas e podem fazer a diferença no orçamento, especialistas em finanças dizem que o consumidor deve sair de casa protegido pela lista de compras, que pontua as necessidades. Outras dicas simples também são importantes, como evitar fazer compras com fome e não se sentir obrigado a levar produtos oferecidos na degustação só porque experimentou. Conhecer a dinâmica das vendas também é importante. Geralmente, para chegar aos itens básicos, o consumidor terá primeiro que enfrentar corredores muitas vezes gigantes, repletos de guloseimas e itens que escapam da sua meta. Ter consciência dessa estratégia do varejo pode ajudar.
 
É preciso também ficar de olho na data de validade dos produtos em promoção. “Muitas vezes o consumidor exagera não só na variedade, mas na quantidade. Compra mais que o necessário de um produto na promoção, com data de validade próxima, e acaba não conseguindo consumir tudo o que levou”, lembra Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste Associação de Consumidores.
 
Na avaliação do gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges, a transformação dos supermercados em estabelecimentos amplos e com maior variedade de produtos é uma das razões que explicam o descontrole do orçamento nesses templos dos alimentos aos eletrodomésticos. “Hoje, essas lojas oferecem uma abundância de produtos, que vão de roupas, itens de perfumaria a eletrônicos. Os varejistas utilizam de uma estratégia visual que leva ao consumo. Somado a isso houve uma ascensão da renda no país e os próprios supermercados financiam os consumidores, oferecem cartões de crédito e parcelam os valores em várias prestações”, aponta o especialista.
 
Atrativos
O representante comercial Caio Tarrago, de 51 anos, diz que mesmo morando sozinho frequentemente compra mais que o planejado no supermercado. Ele conta que o mais comum é levar frutas, guloseimas que visualmente são muito atraentes e também bebidas, como vinhos e uísques. “Uma vez por mês vou a supermercados maiores e se vejo uma blusa de malha na promoção, acabo levando o produto, mesmo que esteja fora da lista. O apelo do preço costuma ser forte”, explica. No entanto, Caio reforça que os excessos são medidos. “Fico de olho e não ultrapasso o orçamento que já tenho previamente determinado.”
 
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Para evitar as tentações
 
Cuidado com a fila para o caixa dos supermercados. Esse é um local estratégico, onde supermercados investem nas compras de última hora.
 
Geralmente, as gôndolas são recheadas de guloseimas e artigos como pilhas, lâminas para barbear e pequenos brinquedos.
 
Promotores de vendas ajudam a divulgar o produto, mas o consumidor, depois de provar, não deve se sentir obrigado a comprá-lo.
 
Os produtos de primeira necessidade costumam não estar nas primeiras gôndolas. Para chegar até eles é preciso andar pela loja, passando por corredores lotados de itens variados. 
 
É bom evitar parar em outros setores para não fugir do foco da compra.
 
Espaço para café, ambiente climatizado, ausência de relógios e música ambiente fazem o consumidor ficar mais tempo na loja.
 
Mudar um produto de lugar é uma estratégia do varejo para fazer o consumidor circular pela loja, aumentando suas chances de comprar.
 
 
Fonte: Proteste 

Fonte: Diario de Pernambuco

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