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Ex-secretário nega fraude em contratos

1 de agosto de 2013
À frente das secretarias de Educação e de Ciência e Tecnologia na época em que foram firmados os contratos com a empresa Ideia Digital, Anderson Gomes negou a existência de irregularidades no caso. Há 15 dias, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) divulgaram um relatório apontando fraude e superfaturamento nas contratações realizadas em 2009 pela prefeitura de João Pessoa, comandada na época pelo atual governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). As denúncias terminaram respingando em Pernambuco, porque o Executivo estadual optou por tomar como referência os preços estipulados nos contratos da capital vizinha que, segundo os órgãos federais, estavam com valores majorados.
 
Ao ser procurado pelo JC, o e-secretário Anderson Gomes procurou tratar o assunto com tranquilidade. Alegou que, neste momento, tem pouca informação a acrescentar, mas afirmou que está levantando os dados sobre os contratos junto aos atuais titulares das pastas de Educação e de Ciência e Tecnologia a Ricardo Dantas e Marcelino Granja, respectivamente a para apresentar defesa no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Desde o primeiro semestre de 2012, quando surgiram as primeiras denúncias sobre o caso de João Pessoa, o órgão abriu duas auditorias especiais para apurar os contratos firmados pelo governo de Pernambuco com a Ideia Digital.
 
"Estamos preparando o material para encaminhar nossa defesa ao TCE, expondo nossas justificativas. Temos explicações e vamos apresenta-Las. Isso faz parte. Os órgãos de controle estão fazendo a parte dele e nós vamos mostrar nossa versão. O governo vai responder o que for preciso. Agora, não tem muito o que dizer", afirmou. De acordo com ele, a decisão de aderir à ata de registro de preço elaborada pela prefeitura de João Pessoa foi tomada para acelerar o processo de contratação e a execução do serviço. "Essa prática do carona é feita em outras áreas do governo. Não há problema nisso quando é feito com o devido cuidado, obviamente. Com isso, é possível ganhar tempo", justifica.
 
Nos contratos assinados em João Pessoa, foram identificados um superfaturamento no valor de R$ 1,6 milhão, além de um esquema para utilizar os recursos majorados para custear a campanha do atual governador Ricardo Coutinho, em 2010. Alguns dos itens presentes na ata de João Pessoa foram considerados superfaturados pela CGU e também foram adquiridos pelo governo de Pernambuco pelo mesmo valor. Com base na análise da CGU, é possível verificar um sobrepreço de, pelo menos, R$ 1,4 milhão, conforme foi mostrado em matérias publicadas pelo JC ao longo desta semana.
 
O período coincidiu com a saída de Anderson Gomes da assessoria especial do governador, cargo que ocupava desde o início do ano, quando deixou a secretaria de Educação. Sua exoneração foi publicada na última segunda-feira (29) no Diário Oficial.
 
Ele argumenta, porém, que seu desligamento não está relacionado ao surgimento das denúncias. "Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Já tinha resolvido voltar para a universidade havia algum tempo e, na semana passada, finalmente o governador me liberou", explica.
 
Anderson Gomes é professor vinculado ao departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco. Ele diz não ser filiado a nenhum partido político. Recebeu o convite para assumir a pasta da Ciência e Tecnologia em abril de 2010. Ficou na secretaria até dezembro daquele ano e, logo em seguida, foi remanejado para Educação, onde permaneceu até janeiro. 

Fonte: Jornal do Commercio

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