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Falta de novos tanques fez Petrobras reduzir remessas

17 de julho de 2013
Com exclusividade, a Folha de Pernambuco teve informações sobre a situação acerca da crise de abastecimento da gasolina, que há pelo menos 20 dias vem afetando o mercado em Pernambuco, além de outros estados do Norte e Nordeste (com exceção da Bahia e do Maranhão). Ontem, uma fonte ligada ao setor revelou que o problema está relacionado à falta de novos tanques de armazenamento nas distribuidoras. O investimento está previsto nas cláusulas dos novos contratos firmados entre a estatal e as empresas, no ano passado, depois que a Petrobras revisou seus custos com logística. 
 
Conforme apurado pela reportagem, as distribuidoras utilizavam o próprio navio da Petrobras como tanque de armazenamento (tancagem), já que suas capacidades de estoque são inferiores ao volume solicitado em contrato. Isso vinha gerando um custo adicional médio de US$ 80 mil por dia à estatal. Ainda de acordo com as informações levantadas pela Folha, as distribuidoras “queriam fazer just in time” (quando a entrega só é feita diante da necessidade do produto), mas com o custo pela espera da armazenagemsendo arcado apenas pela Petrobras. 
 
Diante do valor altíssimo, a Companhia revisou os contratos, “obrigando” as distribuidoras a adaptaremas suas tancagens. Além disso, comomedida de contenção de gastos diante da crise que atravessa, o abastecimento foi reduzido de quatro para duas vezes ao mês. O problema é que, segundo a fonte, há oito anos não são realizados investimentos em novos tanques no Complexo de Suape, apesar de a demanda pela gasolina vir aumentando como número crescente de novos veículos nas ruas. Somente na Região Metropolitana do Recife (RMR) o acréscimo é de seis mil carros por mês. 
 
Questionado sobre a situação, o presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alisio Vaz, negou que existisse a mudança de contrato com a Petrobras. Ele garantiu que no terminal marítimo pernambucano há infraestrutura necessária para atender à demanda. “Temos um volume de armazenamento de cerca de 300 milhões de litros, sendo 100 milhões de um tanque próprio e o restante distribuído em quatro terminais privados que as distribuidoras alugam”, refutou. Os terminais alugados são o Pandenor, Temape, Teape e o Tequimar – este último passou a ser utilizado recentemente pelas empresas de distribuição.
 
Sindicom diz que não há queixa oficial
 
Pela primeira vez, desde o início deste mês, quando a Folha de Pernambuco iniciou as reportagens sobre falta de gasolina em vários estados do Norte e Nordeste, o presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alisio Vaz, resolveu falar. Segundo ele, até ontem, não havia sido protocolada uma reclamação oficial relacionada ao problema. Por causa disso, Vaz informou que o Sindicom “fica impossibilitado de tomar providências emergenciais para contornar a situação”. Embora não haja uma queixa formal, o presidente do Sindicom disse que possíveis atrasos na chegada de navios podem resultar em desabastecimentos pontuais. “Navio não tem programação, como acontece com os aviões. Mesmo assim, a possível falta do produto não compromete o abastecimento de forma generalizada”, alegou. 
 
A Folha entrou em contato com o vice-presidente do Norte e Nordeste da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis Lubrificantes (Fecombustíveis), Valter Tanus, para questionar o motivo de o Sindicom ainda não ter sido sinalizado formalmente sobre a dificuldade. Até o fechamento desta edição, Tanus não retornou às ligações da reportagem. 
 
REFINARIA
Apesar do projeto original da Refinaria Abreu e Lima ter como produção principal o diesel, fontes ligadas à Petrobras não descartam a possibilidade de também refinar gasolina. O objetivo seria suprir a alta demanda. 

Fonte: Folha de Pernambuco

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