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Prefeitura sem estrutura para evitar a sujeira

10 de julho de 2013
As chances de a população seguir à risca a campanha educativa sobre o descarte correto do lixo é mínima. Isso porque, mesmo com o lançamento do projeto Cata-tralha, ontem, pela Prefeitura do Recife, o presidente da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), Antônio Barbosa, admite que a quantidade de fiscais não é suficiente para atender a cidade.

São quatro Gerências de Operação e Fiscalização (GOF) no Recife. Elas contam com 90 fiscais para a cidade toda. Na primeira etapa do Cata-tralha, que envolve 18 bairros, serão 34 garis e seis fiscais. A prefeitura ainda está fazendo levantamento para saber o número ideal de profissionais.

 
No Cata-tralha, caminhões-caçamba vão permanecer, em média, três dias em cada bairro, recolhendo entulhos acumulados. Paralelamente, agentes da Secretaria de Saúde visitarão casas alertando os moradores para lixos que juntam água e trazem doenças, enquanto bicicletas com caixas de som vão circular pela localidade divulgando pontos de recolhimento e o número da Central de Atendimento da Emlurb, o 156.
 
Os primeiros bairros atendidos são os da Zona Norte. A operação fica na região, em média, 30 dias, e então segue para outra área. "Depois, vamos instalar as ecoestações. Serão sete em toda a cidade. As pessoas vão voluntariamente até o espaço, se cadastram e podem descartar até um metro cúbico de entulho por dia", explicou.
 
Serão sete ecoestações no Recife. Servirão para recolher móveis velhos e restos de pequenas obras que, normalmente, são despejados em terrenos abandonados, canais ou calçadas. Além disso, terão apoio dos Pontos de Entrega Voluntária de Entulhos (PEV), instalados próximo às ecoestações. Lá, as pessoas vão depositar lixo reciclável, como papelão e garrafas PET.
 
A Lei Municipal 14.903 de 1986 prevê, para quem descarta o lixo de maneira incorreta, multa de R$ 50 a R$ 1,8 mil. "É uma previsão legal, mas a gente não tem olhos para a cidade inteira. Imagine se uma pessoa é de baixa renda. Nós vamos cobrar multa de R$ 200, mas ela não pode pagar. Por isso, frisamos a educação ambiental, para trabalharmos com a comunidade", destaca o presidente da Emlurb.
 
Moradores do Arruda, primeiro local a receber o Cata-Tralha, reconhecem falhas na proposta. "Semana passada eu vi uma mulher colocando um sofá e uma geladeira no lixo. Ela vai levar esse lixo para um espaço (ecoestação) que certamente ela não sabe onde é? Não vai", exemplificou a dona de casa Cícera Souza, 53 anos.
 
Assim pensa também a cabeleireira Ana Gonçalves, 62. "Ninguém vai mudar de hábito por causa de um projeto que vai passar na porta da sua casa durante três dias. Se houver terreno abandonado, pode ter certeza, o pessoal vai levar o lixo para lá." 

Fonte: Jornal do Commercio

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