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Táxis exploram passageiros

5 de julho de 2013
A greve dos rodoviários parou o Recife e muitos trabalhadores que recorreram ao táxi para ir ou voltar do trabalho sofreram com abusos financeiros. Sem a "concorrência" dos ônibus, alguns taxistas usaram o artifício de escolher corridas, desligar o taxímetro, cobrar valores altos e antecipados, acionar a bandeira 2 antes das 22h e até rodar como verdadeiras "lotações".

Tantas irregularidades são agravadas pelo fato de que para um táxi rodar na cidade precisa de uma permissão concedida pelo poder público municipal, as prefeituras, que pouco fiscalizam o serviço.

 
O presidente do Sindicato dos Taxistas de Pernambuco, Everaldo Menezes, argumenta que os responsáveis por esses desrespeitos são minoria. No Recife, a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), responsável por fiscalizar e reprimir esses abusos, pede que a população denuncie.
 
Luiza dos Santos, empregada doméstica, só queria voltar para casa na tarde da última segunda-feira. Largou do emprego, em Casa Amarela e, sem ônibus nas ruas, tentou parar um táxi. Destino: a comunidade Bola na Rede, na Guabiraba. Pouco mais de dez quilômetros de percurso. O problema foram os táxis que pararam. Apresentaram logo uma fatura antecipada de R$ 50. "Absurdo", resumiu. A solução encontrada foi recorrer a um mototáxi, por R$ 20.
 
A psicóloga Rita de Paula mora em Salvador e, esta semana, esteve no Recife. Na última terça-feira, esperou quase uma hora e meia por um táxi em Casa Forte. Quando conseguiu embarcar, às 18h30, o motorista acionou, sem dar explicação alguma, a bandeira dois. Chovendo, com duas crianças a tiracolo e acompanhada da sogra, Rita só queria voltar para casa. Não discutiu e pagou a conta mais salgada no final.
 
Para denunciar um abuso o cidadão só precisa fornecer o número que consta na porta do táxi (o termo de permissão, conhecido como "TP"), pelo telefone 0800 081 1078. Porém, conforme informou o gerente-geral de transportes do órgão, Roberto Lyra, não há registro de permissões de taxistas cassadas por conta de denúncias.
 
"Primeiro fazemos uma advertência verbal. Se for reincidente, a advertência é por carta, com aviso de recebimento. A depender da gravidade pode ser aplicada uma suspensão e até uma cassação. Agora não se pode crucificar o taxista sem lhe dar o direito de defesa. O usuário deve ser o principal fiscal e não aceitar pagar um valor maior", reforçou o gestor. Lyra informou que não há um balanço de reclamações nos últimos dias, pois o funcionário responsável pelo trabalho, por ironia, faltou ontem. Não conseguiu pegar um ônibus.
 
Everaldo Menezes saiu em defesa da categoria. "O que temos visto nos últimos dias são taxistas trabalhando 18 horas por dia para atender a população. Claro que queixas e reclamações não deixarão de acontecer. Os errados são uma minoria tentando se aproveitar da atual situação da cidade", endossou. 

Fonte: Jornal do Commercio

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