Motoristas, cobradores e fiscais de ônibus do Grande Recife entram em greve por tempo indeterminado, a partir da 0h de hoje, e decidiram manter 30% da frota nas ruas. O percentual foi acordado numa reunião na Procuradoria Regional do Trabalho, quinta-feira passada, entre trabalhadores e patrões. Na sexta-feira à noite, por solicitação dos empresários, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a manutenção de 80% da frota no horário de pico – das 5h30 às 9h e das 17h às 20h.
Até ontem, o Sindicato dos Rodoviários não tinha sido notificado oficialmente da decisão do TRT. Diógenes José de Souza, secretário da entidade, disse que ficou sabendo da liminar concedida aos patrões apenas pela mídia. Além do 80% no horário de pico, o TRT determina a circulação de 50% da frota no restante do dia. No entendimento dos trabalhadores, sem a notificação, prevalece a decisão da Procuradoria.
Eles reivindicam 33% de reajuste salarial, mas os patrões oferecem 3%. O salário do motorista passaria de R$ 1,5 mil para R$ 2 mil e o do cobrador de R$ 690 para R$ 1,2 mil. Com o aumento, os fiscais iriam receber R$ 1,3 mil. A categoria também pede atualização no vale-refeição, de R$ 160 para R$ 300.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE), Fernando Bandeira, disse que vai trabalhar para garantir a frota de 80% no horário de pico e de 50% no restante do dia. "Não podemos deixar a população sem ônibus", declara. Segundo ele, se a decisão do TRT não for cumprida, o sindicato dos trabalhadores pagará multa diária equivalente a R$ 100 mil reais.
"Basta uma empresa não respeitar a determinação para o sindicato dos trabalhadores ser multado", diz Fernando Bandeira. Caberá às empresas e ao Grande Recife Consórcio de Transportes fiscalizar a quantidade de veículos. O Grande Recife disse que colocará fiscais nas garagens e nas ruas. As equipes que trabalham nos terminais também poderão fazer o controle.
Para Fernando Bandeira, é impossível acatar o reajuste salarial solicitado pelos rodoviários. "São propostas elevadas e fora do contexto das inúmeras negociações coletivas que tem sido feitas nos últimos meses, seja do setor ou fora dele. O Ministério Público deverá pedir o julgamento do dissídio", declara. Enquanto durar a paralisação, as empresas estão proibidas de contratar motoristas terceirizados e de demitir funcionários, por determinação da Procuradoria Regional do Trabalho.
Diógenes José de Souza disse ter estranhado a rápida decisão do TRT, na sexta-feira à noite. De acordo com o sindicalista, nos casos de demissão sem justa causa, o Tribunal costuma demorar meses, até anos, para atender pleito dos trabalhadores. Cerca de dois milhões de passageiros usam o transporte coletivo no Grande Recife, por dia. A frota é composta de 3 mil veículos.
A Urbana-PE informa que conciliou mais de 90% dos 108 itens apresentados na pauta de reivindicações dos rodoviários. Faltou consenso em sete cláusulas. Diz, ainda, que continua apostando no diálogo com os trabalhadores.
Fonte: Jornal do Commercio