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Casarão será espaço cultural

19 de junho de 2013
O grande portão enferrujado do casarão de número 807 da Avenida Rosa e Silva, no bairro dos Aflitos, não podia ser ultrapassado quando a última proprietária do imóvel, Maria Conceição Guedes Pereira, ainda morava na casa. A mulher – que morreu aos 100 anos no último dia 8 de abril – vivia reclusa e só permitia a entrada dos empregados. O seu último desejo, porém, foi dar acesso a todos os recifenses à casa que tem seu nome gravado na fachada. Antes de morrer, a centenária revelou ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) o desejo de doar a edificação à Prefeitura do Recife para que o imóvel seja transformado em um espaço cultural.
 
A Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR) informou que foi procurada pelo MPPE que repassou o interesse da antiga moradora de transformar a propriedade em bem público. “A FCCR confirmou a disposição de tornar-se responsável pelo imóvel, porém, ainda há um processo judicial em curso para definição da transferência legal”, afirmou o presidente da Fundação, Roberto Lessa. Um inventário – relação de bens e direitos ou dívidas, em alguns casos, deixados pelo falecido – será feito. O procedimento leva, em média, um ano, em condições normais, sem conflitos.
 
O promotor de defesa do meio ambiente e do patrimônio histórico-cultural, Ricardo Coelho, afirmou que deve se reunir hoje com o secretário de Assuntos Jurídicos do Recife, Ricardo Correia, para dar encaminhamento ao assunto. Mas desde já, a Prefeitura do Recife assumiu a manutenção e a segurança do imóvel.
 
O nome Vila Maria Conceição, gravado no alto da fachada pintada de amarelo, é uma homenagem à última moradora do casarão, herdeira única dos pais. A série Os casarões e o tempo, publicada no Diario em dezembro de 2012, contou a história do imóvel. Segundo a reportagem, um tesouro valioso que remete a um passado pouco revelado ficava guardado dentro da casa. Um berço e um velocípede de ferro, que pertenceram a Conceição, além de um piano, continuavam no local. Estavam escondidos por trás das paredes descascadas do casarão. Na Avenida Rosa e Silva, havia rumores de que a propietária não gostava que estranhos se aproximassem do portão. Ela morou sozinha até o fim da vida.
 
 

Fonte: Diario de Pernambuco

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