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Aposentados fora do mercado de trabalho
16 de junho de 2013Os aposentados voltam com menos intensidade ao mercado de trabalho. Mesmo assim, ainda precisam complementar a renda para arcar com as despesas do dia a dia. Entre 2001 e 2011, a participação deste grupo no total de inativos aumentou de 22,7% para 29%. Quando sobe a taxa de inatividade é sinal que essas pessoas desistiram de procurar emprego. Movimento inverso é observado com os estudantes e os empregados em afazeres domésticos que engrossaram a massa de ocupados. Os números são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Departamento Intersindical de Economia e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na Região Metropolitana de Recife (RMR).
Este fenômeno vem na contramão do que é observado nos últimos anos no país. Em geral, os aposentados retornam ao batente para ter uma renda extra e arcar com as despesas que crescem na velhice. A recuperação do mercado de trabalho e dos salários, além do ganho real do salário mínimo, são apontados pelos especialistas como indicativos de mudança no comportamento dos aposentados. Outro aspecto que deve ser observado é a entrada do jovem e das mulheres no mercado de trabalho para ampliar o orçamento doméstico.
Coordenador da PED/Dieese na Região Metropolitana de Recife (RMR), Jairo Santigo, observa que entre 2001 e 2011 o salário mínimo aumentou mais de 150%, o que pode ter provocado a retração dos aposentados na busca por emprego. Por outro lado, ele destaca a saída dos estudantes e empregados em afazeres domésticos do grupo de inativos. “Quem sai da inatividade tem um endereço certo que é o mercado de trabalho”.
No comparativo por gênero, os números da PED/RMR revelam que as mulheres aposentadas retornam com mais vontade ao batente do que os homens. Entre 2001 e 2011, pulou de 59,8% para 63,3%, respectivamente, a proporção de aposentadas na força de trabalho da área metropolitana. “São grupos que entraram no mercado de trabalho para incrementar a renda, mas nem sempre conseguem uma boa ocupação”, completa Santiago.
A aposentada Maria Aparecida da Silva, 70 anos, foi operadora de máquina da fábrica da Souza Cruz. Se aposentou em 1994, após 30 anos de serviço. A renda inicial – superior a quatro salários mínimos – é de apenas R$ 800 nos dias atuais, pouco mais que um mínimo. Para cobrir as despesas com aluguel, água, luz, energia, telefone, alimento e remédio, ela tem que fazer alguns “bicos”.
“Sou artesã. Faço panos de prato bordado e crochê. Vendo às pessoas conhecidas para completar o benefício do INSS”. Atuante, dona Maria reinvindica direitos dos aposentados: “Acho que o aposentado devia ter espaço para trabalhar com dignidade e ganhando um salário justo”.
Fonte: Diario de Pernambuco
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