Os parquímetros eletrônicos, equipamentos utilizados para controle de estacionamento nas áreas de maior movimento da cidade, começarão a ser testados no Recife, a partir do próximo mês. O anúncio foi feito ontem à tarde pelo secretário de Mobilidade e Controle Urbano do Recife, João Braga, durante participação no programa Cidade Viva, veiculado na web pelo portal NE10 (www.ne10.com.br) e pelos sites dos veículos do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC). A novidade traz grande expectativa para os motoristas, já que há anos é difícil estacionar sem a intervenção de flanelinhas, que estabelecem preços e ainda ameaçam as pessoas que se negam a pagar. O modelo de parquímetro é o mesmo instalado, há um ano, no município de Arcoverde, Sertão, que contribuiu para mudar a realidade do trânsito na região.
Segundo o secretário, os testes começarão a ser feitos no Cais de Santa Rita, bairro de São José, e a ideia é espalhar os dispositivos para outros locais da cidade. "A intenção é substituir os espaços onde funciona a Zona Azul e depois expandir para diversos pontos. Começaremos pelo Cais de Santa Rita por ser um local de grande movimento e que hoje está desordenado", afirmou Braga. A empresa responsável pela instalação dos aparelhos na fase de teste será a Digicon, do Rio Grande do Sul.
Durante o debate, João Braga respondeu perguntas dos participantes do programa e dos internautas sobre desordenamento urbano. Entre os destaques, a grande quantidade de camelôs em espaços públicos e os buracos nas calçadas. "Nossa prioridade é a organização e, por isso, preparamos projetos de impacto. Pela lei, a responsabilidade de construção de calçadas é dos proprietários dos imóveis, mas se a prefeitura cuida das ruas e dos espaços públicos, pode se responsabilizar pelos passeios. Já conseguimos R$ 20 milhões para investir em calçadas do Centro do Recife e de prédios públicos e tentaremos captar mais recursos para esse fim", declarou o secretário. Ele garantiu ainda que em julho será realizada uma intervenção na Avenida Conde da Boa Vista e vias próximas para reordenamento de camelôs e combate ao barulho. "Já notificamos 40 lojas do Centro que utilizavam caixas de som para fazer propagandas", disse.
Convidado do programa, o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (Caupe), Roberto Montezuma, destacou a necessidade de se implantar projetos duradouros. "Os projetos têm que ser pensados para funcionar a longo prazo. Para que a cidade, seja viva, de fato, é necessário haver uma macrovisão. E as ideias desenvolvidas pelo poder público precisam ser compartilhadas com a população para que as pessoas opinem, participem", defendeu. "O Recife não tem um novo plano urbanístico desde 1940", acrescentou.
Questionado pelo editor-assistente de Cidades do JC Ricardo Novelino sobre o que poderia se salvar da gestão passada da prefeitura, do PT, em relação a controle urbano, João Braga respondeu negativamente. "Nada se salva. A cidade virou uma grande bagunça", acusou, citando como exemplo ruas da Zona Sul da cidade, onde ambulantes se aproveitavam da colocação de gelos baianos no meio das vias para vender espetinhos e bebidas alcoólicas e ainda festas que eram realizadas em casas noturnas, provocando grandes congestionamentos nas ruas. "Nossa prioridade é organizar", prometeu.
O Cidade Viva vai ao ar uma vez por mês e é apresentado pelos jornalistas Inês Calado e Antônio Martins. Esta foi a terceira edição do programa.
Fonte: Jornal do Commercio