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A difícil volta ao ambiente de trabalho
3 de junho de 2013"Tive três semanas de férias entre abril e maio. Resolvi caprichar, pois estava com problemas pessoais. Viajei e foi espetacular. Mas quando voltei, não conseguia realizar as tarefas para retornar ao trabalho, como organizar as disciplinas que iria lecionar, algo que faço há dez anos. Fui ao psiquiatra e ele me disse que eu estava com depressão pós-férias. Jamais ouvi falar nisso." O que o professor Tiago Gomes vivenciou é sentido por cerca de 35% dos trabalhadores, segundo a psicóloga Alexandra Pontes. A depressão pós-férias pode ter motivos diversos, justificados por problemas como insatisfação profissional, hostilidade no ambiente de trabalho, falta de possibilidade de promoção ou aperfeiçoamento e até mesmo problemas interpessoais.
"A depressão pode ocorrer quando a pessoa não está fazendo o que gosta ou quando o clima organizacional não é bom. Lembro que algumas pessoas vão ao trabalho com prazer enquanto outras dizem: ?vou à luta, à guerra, à batalha?. Ou seja, seu trabalho não gera prazer. E o momento da volta a este ambiente é sem dúvida um sacrifício. O corpo não responde ao comando de acordar, há um sentimento de ansiedade, de preguiça e de má vontade", explica consultor de carreira e especialista em motivação, Jairo Martiniano.
Mas nem sempre o problema está relacionado diretamente ao ofício em si. "A depressão pós-férias não se dá de repente. Ela é resultado de sofrimento que já era experimentado pelo profissional antes de entrar de férias", esclarece Alexandra.
Foi o que aconteceu com o professor Tiago. "No semestre anterior, tive muitos aborrecimentos na vida pessoal. E as férias de fato foram o contraponto perfeito. Mas ao invés de voltar renovado, o inconsciente trabalhou como se o início do semestre fosse um retorno à situação anterior. Então, a ideia de trabalhar me dava tristeza, como se o início das aulas me fizesse voltar aos sofrimentos prévios às ferias. O problema não teve a ver com o trabalho em si, foi uma associação que o cérebro fez", justifica.
Martiniano pondera e diz que as férias são um momento de desaceleração e o retorno ao trabalho gera uma mudança no ritmo psicológico e fisiológico. "Às vezes, é apenas um processo natural, que pode se confundir com depressão", alerta.
Em qualquer caso, o ideal é tentar identificar a situação-problema e criar estratégias para solucionar qualquer mal-estar. "Buscar ajuda profissional para amenizar esse sofrimento é uma solução. Em último caso, é interessante pensar em mudar de emprego", aconselha Alexandra Pontes.
Jairo Martiniano acrescenta que é preciso ter uma meta alcançável e muito foco no que se quer da sua vida. "E pensar as férias como um momento de se desligar e celebrar, como uma recompensa a si mesmo por vários meses de trabalho", conclui.
Fonte: Jornal do Commercio
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