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Os negócios em torno da ciclofaixa
19 de maio de 2013Pedalar é alternativa de lazer, fonte de bem-estar e também de renda para muita gente no Recife. Perto de completar dois meses de operação, a ciclofaixa móvel que opera aos domingos e feriados acabou tendo um impacto inesperado na economia da cidade. Ao longo dos mais de 25 quilômetros da faixa exclusiva para bicicletas, skates e patins, surgem, aqui e ali, pequenos e médios empreendimentos ligados à atividade. São pontos de venda de água, coco, lanches, serviços e manutenção, além de aluguel de bicicletas e organização de passeios.
Mas não só os comerciantes que operam nas calçadas, à margem do fluxo de bikes e da economia, sentiram o aquecimento do setor. Fabricantes e revendas registraram aumento de até 100% na comercialização de bikes. O fenômeno em duas rodas fez até com que a Prefeitura do Recife prospectasse a instalação de uma pequena indústria paulistana que utiliza material reciclável para produzir suas magrelas.
Quem frequenta toda a extensão da ciclofaixa aos domingos e feriados certamente já parou para tomar um coco com o comerciante Mário Gomes, lá no Cais José Estelita. Dono de um quiosque no calçadão de Boa Viagem, ele decidiu instalar um "posto avançado" no trecho entre o Pina e o Marco Zero seguindo uma dica de seus clientes. "Foram eles que me disseram que se alguém sair de Boa Viagem, só vai ter onde tomar uma água no Recife Antigo e vice-versa", conta. Operando na ciclofaixa desde a segunda edição, Gomes diz que dobrou o faturamento de seu negócio. Hoje consegue R$ 1,6 mil por domingo. "Meu plano agora é comprar uma carrocinha para vender meus produtos ao longo da ciclofaixa", diz.
Tanto sucesso justifica-se pelo ponto bem localizado, mas também pelo gasto médio dos ciclistas. "Sempre gasto uns R$ 20 quando passeio. Acho até que deveria ter mais pontos de apoio e barraquinhas. Deveriam promover a regularização desses comerciantes", diz o bancário Igor Santiago, durante um pit-stop para molhar a garganta.
Segundo o secretário de Turismo e Lazer do Recife, Felipe Carreras, a Prefeitura já está estudando maneiras de formalizar os comerciantes que surgiram para atender os ciclistas. "Estamos conversando com a secretaria de Mobilidade para regularizar a situação dessas pessoas. Também conversamos com a secretaria de Juventude e Emprego para qualificar jovens mecânicos que possam fazer a manutenção dessas bikes", diz. Carreras revelou que também foi encomendado à Secretaria da Fazenda um estudo de impacto econômico do programa no comércio da cidade. "Até porque estamos estudando novas rotas para expandir o projeto em julho, com novos percursos convergindo para o Recife Antigo", conta Carreras.
A expansão da ciclofaixa deverá acelerar os negócios de Carmem Roma, que há quatro domingos passou de funcionária de uma lotérica a empresária na Zona Norte da cidade. Ela conta que investiu R$ 8 mil na aquisição de 13 bicicletas, que somou às duas que já usava para pedalar pela cidade, para criar um serviço de aluguel de bikes no entorno do Parque da Jaqueira. O esquema é simples: custa R$ 15 para pedalar por uma hora e R$ 30 para três horas. O resultado é um faturamento de R$ 900 por domingo.
Até negócios bem estabelecidos, como a RM Express de Santo Amaro subiu na garupa das bikes. Segundo a gerente de marketing do Grupo RM, Isabella Ferreira, o movimento aos domingos aumentou tanto que a loja criou um balcão externo, com direito até a bicicletário, para atender os ciclistas. "O investimento no balcão já retornou. E além disso, só a exposição da marca já vale a pena", conta a gerente.
Fonte: Jornal do Commercio
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