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Diferentes caminhos até deixar o batente

14 de maio de 2013
Mulheres e homens planejam diferente a aposentadoria. Elas são mais preocupadas com o futuro e começam a poupar mais cedo. Eles são mais previdentes e reservam mais dinheiro para se garantir quando pendurarem as chuteiras. A principal aspiração feminina é viajar – uma forma de compensar o tempo gasto em casa, cuidando dos filhos. O desejo preponderante masculino é ficar mais tempo com a família. Ambos convergem para alguns pontos: visão imediatista da vida em prejuízo da poupança, informalidade para lidar com o dinheiro, medo do futuro e forte dependência da previdência oficial.
 
O estudo Futuro da aposentadoria, feito pelo banco HSBC com 1.085 brasileiros, indica que mulheres e homens são pouco organizados financeiramente para ter o mesmo padrão de vida após a aposentadoria. Quando o planejamento acontece, é pouco estruturado. Basta um desequilíbrio no orçamento para a poupança ser desviada do objetivo principal. O desemprego é o primeiro obstáculo da lista. A compra de um imóvel e as dívidas são outros bons motivos para as pessoas lançarem mão da reserva financeira. 
 
“Independentemente de gênero, os brasileiros têm dificuldade de se preparar adequadamente para a aposentadoria. A maioria opta pelo curto prazo e depende do estado como provedor”, constata Gilberto Poso, superintendente-executivo de Gestão de Patrimônios do HSBC. Além disso, a informalidade predomina na escolha do investimento para a aposentadoria. Principalmente os homens, cuja autoconfiança maior os leva a agir por conta própria. Ambos os gêneros confirmam que têm algum tipo de planejamento financeiro na cabeça e nada por escrito. 
 
O executivo do HSBC cita algumas diferenças entre os gêneros que saltam os olhos. A falta de dinheiro na aposentadoria, por exemplo, é motivo de maior ansiedade para as mulheres do que para os homens. Faz sentido. A mão de obra feminina é menor remunerada do que a masculina. Já o medo da solidão e a perda de memória preocupam mais as mulheres. “Esse comportamento reflete a questão cultural do papel da mulher na sociedade e a maior autoconfiança do homem”, assinala Poso. 
 
Do ponto de vista do bolso, a pesquisa do HSBC revela que as mulheres começam mais cedo – por volta dos 27 anos – a planejar a aposentadoria. Já os homens esperam chegar os 29 anos para se mexer. A diferença é que elas poupam em média R$ 163 por mês e eles reservam R$ 239 da renda mensal. Nos casos de aperto no bolso, o homem usa o próprio patrimônio. As mulheres recorrem aos familiares. O mais grave é que os brasileiros são conscientes de que terão um déficit na aposentadoria. “Existe a dificuldade de se escolher entre o presente e o futuro. Tem o aspecto do imediatismo que fala mais alto”, sintetiza Poso. 

Fonte: Diario de Pernambuco

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